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domingo, 6 de dezembro de 2015

Dias Perfeitos - Raphael Montes

Théo desenvolve uma paixão doentia por Clarice depois de um encontro casual num churrasco. Ele, estudante solitário, frio, com hábitos pouco saudáveis. Mas  é rejeitado pela jovem, então decide sequestrá-la para que possa lhe conquistar o amor. Método bizarro, mas vindo de Raphael Montes, um de meus escritores brasileiros contemporâneos favoritos, não se estranha. O desenrolar da trama é cheio de detalhes psicológicos, como o autor gosta, um final que surpreende.
Daria cinco estrelas. Mas já dei muitas pra Montes, baixar um pouco a bola.

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

O Vilarejo - Raphael Montes

O autor Raphael Montes constrói o livro com sete contos ligando aos sete pecados capitais (Asmosdeus-luxúria, Belzebu-gula, Mammon-ganância, Belphergor-preguiça, Satan-ira, Leviathan-inveja, Lúcifer-soberba) que se comunicam entre si. Terror, juntando o que pode haver de mais vil na alma humana à presença do demônio.
A construção dos contos se baseia nuns livros deixados por uma anciã morta, cuja  neta deseja se desfazzer do material deixado pela bisavô. 
Um vilarejo localizado em lugar nenhum, abandonado, isolado do mundo, onde as pessoas se consomem literalmente, o terror é a rotina e o ser humano é desnudado em sua realidade. A tentação é maior que a moralidade ou senso de decência. Sangue, terror e morte. Ou seja, maravilhoso.
Banquete para Anatole ou Belzebu, Felika luta mara manter todos bem alimentados, já que não há comida no vilarejo, enquanto o marido Anatole não retorna da viagem em busca de caça. Mas Anatole volta. E se surpreende: a mulher estava até mais gorda! E os filhos,?
As irmãs Vália, Velma e Vonda ou Leviathan. Vália, a mais velha está noiva do único rapaz bonito e simpático do vilarejo. Velma e Vonda são gêmeas,sempre inventam estórias com os moradores do vilarejo. Aí a irmã mais velha torna-se personagem. E percebem o que ela tem... 
O negro caolho ou Lúcifer. Um negro chega ao vilarejo e logo é visto com maus olhos pelos moradores, chegando quase a ser morto pelas mãos de Ivan, não fosse Helga salva-lo. Aliás, não apenas o salva como o acolhe, dá comida e teto, enquanto ele o ajuda nos afazeres de casa. Mas não deveria ser empregado? Pode ser, mas ela não foi benevolente? Ele não pode exigir nada em troca? Não, ela o trata bem. E como ele poderá ir em busca das filhas roubadas? Isso é demais para a boa alma de Helga...
Enfim, não irei detalhar cada um dos sete contos. É spoiler demais para um livro só. O que gostei mais foi Helga e o negro. Se bem que Ivan é um personagem fascinante... não há melhores: todos são ótimos!
Ilustrações muito boas compõem o livro.
Sou fã de Raphael Montes. Leio tudo o que ele publica e, mais uma vez, ele me surpreendeu. Fiquei mais fã ainda.

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Suicidas - Raphael Montes

Alessandro ambiciona tornar-se um escritor de sucesso, porém os livros que escreve são recusados pelas editoras. Também não possui recursos financeiros para lançá-los independente. Tem um grande amigo desde a infância, Zak, um garoto mimado e rico, filho de Maria Claria e Getúlio Cavalcante, amigos de sua mãe também. Com a avó de Alessandro internada, porque enlouqueceu depois da morte do marido (não! Não é por saudade, mas assombrada porque ele poderia voltar pra bater mais nela), a mãe com diagnóstico de câncer, junta-se a mais oito jovens, entre eles o amigo Zak, para cometerem o suicídio numa roleta russa. Alessandro então escreveria o grande livro da sua vida, narrando incessantemente o que acontece no porão onde se fecharam os nove suicidas, certo que seria um grande sucesso póstumo.
No livro, temos as narrativas dele na noite e início da madrugada na roleta russa, os escritos do diário/livro encontrado em seu quarto pelos policiais após sua morte e, uma terceira narrativa, as mães dos filhos mortos sendo interrogadas, um ano depois da tragédia.
O livro surpreende e prende na leitura, porém, ao final, algumas lacunas ficam sem respostas, aqueles porquês, comos, ondes. Esclarecimentos de ligações entre fatos importantes para dar mais realismo à trama. Poderia considerá-lo muito bom não fosse esses espaços vazios sem explicações.
Somado a esses "buracos negros", os inexplicados que não foram esclarecidos, há a falta de motivos (exceto o personagem Lucas) reais para a decisão de morrer. Vagos demais, carecia mais densidade nos personagens, mais exatidão.
Dei três estrelas na avaliação porque o livro me prendeu, mas, na realidade mesmo, não vale duas. Pelo escritor, que sou uma fã ardorosa, daria tantas estrelas quanto houvesse a dá-las.

Raphael Montes
Raphael Montes

Nasceu em setembro de 1990, no Rio de Janeiro. Advogado e escritor, teve contos publicados em diversas antologias de mistério, inclusive na Playboy, na antologia "Rio Noir" e na prestigiada revista americana Ellery Queen’s Mystery Magazine.
Aos 20 anos, impressionou a crítica e público com um suspense policial finalista do Prêmio Benvirá de Literatura 2010, do Prêmio Machado de Assis 2012 da Biblioteca Nacional e do prestigiado Prêmio São Paulo de Literatura 2013. Em breve, será publicado em nova edição pela ed. Companhia das Letras Aos 24 anos, publicou Dias Perfeitos (ed. Companhia das Letras). O romance foi um fenômeno: teve os direitos de tradução vendidos para 22 países e foi escolhido como Livro do Mês na Amazon norte-americana. No exterior, o livro mereceu resenhas em jornais como The Guardian e Chicago Tribune, recebeu elogios de autores internacionais e foi considerado uma espécie de “irmãos Coen brasileiro”.
Em agosto de 2015, Raphael publicou seu terceiro livro, O Vilarejo(ed. Suma de Letras), um romance fix up de terror que fez grande sucesso entre o público jovem e mereceu comparações com Stephen King.
Em dezembro de 2016, publicou Jantar Secreto (ed. Companhia das Letras), integrando a lista de mais vendidos daquele mês e com direitos de tradução vendidos para França, República Tcheca, Espanha e Polônia.
Todos os seus livros tiveram os direitos de adaptação vendidos para o cinema e estão em produção. Atualmente, Raphael assina uma coluna semanal no Jornal O GLOBO e escreve roteiros para cinema e TV. [Fonte: https://www.raphaelmontes.com.br]