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sexta-feira, 22 de junho de 2018

Os conflitos de Grace - Susie Orman Schnall

Título original: On Grace
Editora Jangada
Tradução Rosane Albert
ISBN 978-85-5539-091-3
Como podem remeter esse livro às obras de Elena Ferrante? Não sei se é insensatez, falta de senso literário ou apelação para que uma obra ruim seja lida.
Veja: uma mulher, a tal Gracie do título, que passou 8 anos cuidando dos filhos, depois do menor começar seu período escolar, decide procurar trabalho. Paralelamente, o marido confessa que a traiu, e tem aquele conflito padrão "perdôo-não-perdôo" piegas. Também começa a receber assédio de um ex colega do tempo de escola. Acrescenta-se também a chegada aos 40 anos. Uma amiga tem problemas de saúde. É isso que se chama conflito. Qualquer outra floração além disso é encheção de linguiça para vender.
Acrescendo a isso que é monótono e a personagem não conquista.
Não recomendo.

Susie Orman Schanall
Susie Orman Schanall
Autora de três romances: sua estréia instigante, ON GRACE ( 2014, SparkPress ). THE BALANCE PROJECT ( 2015, SparkPress), trata do equilíbrio entre vida pessoal e profissional e foi inspirada em The Balance A série de entrevistas do projeto que começou em 2014. E THE SUBWAY GIRLS (2018, St. Martin's Press), ficção histórica sobre o fascinante programa de publicidade da Miss Subways.
A escrita de Susie apareceu em numerosas publicações, incluindo o The New York Times, o The Huffington Post, o POPSUGAR, o Writer's Digest e o Glamour.
Ela também é palestrante frequente em grupos de mulheres, corporações e clubes de livros sobre seus romances e equilíbrio entre trabalho e vida pessoal.
Susie cresceu em Los Angeles, formou-se na Universidade da Pensilvânia e hoje mora fora de Nova York com o marido e os três filhos que jogam bola na casa.
Palavras dela: "Desde que eu era criança, encontrei a verdadeira alegria em escrever. Desde meus primeiros cadernos cheios de poemas sobre amores perdidos para meus ensaios documentando minha jornada através da maternidade, narrei minha vida em palavras.
Há algo sobre um intenso jogo de palavras cruzadas desafiador, um parágrafo impossível. Tudo se resume às palavras, e as palavras são o que eu amo.
Eu também sou apaixonado por muitas outras coisas: noites de filmes de sexta família, chocolate muito escuro (especialmente com pequenos crocantes), praias quentes, comédias românticas, Jane Austen e Jeffrey Archer, vestidos de festa, caminhadas, criação de crianças resilientes, jantares, pontualidade, sábado à noite happy hour com meu marido, espaço em branco, equilíbrio, boot camp, kale shakes, verdadeiros amigos, notas de agradecimento e otimismo.
[Fonte:https://susieschnall.com/about-susie/]

Amor amargo - Jennifer Brown

Título original: Bitter End
Tradução: Guilherme Meyer
Eiditora Cutenberg
Ficção norte-americana
ISBN 978-85-8235-306-6 

Alex é uma jovem esforçada, que trabalha e estuda, com 17 anos e tem dois amigos inseparáveis: Bethany e Zach. Juntos formam um trio que se entendem melhor que irmãos.  Até que Alex conhece Cole, um rapaz bonito, carinhoso, galante, algo perto da perfeição.  Como homem perfeito não existe, logo Cole começa a mostrar sua verdadeira face de abuso e violência. A vítima se culpa pelas explosões do namorado, desculpando-o sempre, acreditando numa mudança do agressor, que os maltratos físicos e verbais podem ter controle caso consiga lidar com o humor variável dele. A narrativa contada pela mulher que é agredida comove e é o retrato de tantas relações cruelmente semelhantes, com vítimas que incrivelmente se sentem responsáveis pela violência que sofre.
No início o livro é cansativo, mas depois tem um ritmo melhor.

"(...) Cole não era assim, Ele estava estressado. Só podia ser, porque, em condições normais, jamais teria feito isso. Ele estava com problemas familiares.
Eu chorei pensando que talvez a culpada fosse eu."

"Eu sabia que, mais do que nunca, faria tudo o que estivesse ao meu alcance para impedir que aquilo se repetisse. E, se abrisse a boca agora, todos passariam a odiá-lo e, quando ele se arrependesse do que tinha feito, ficaria tão decepcionado comigo que eu o perderia de vez. O caroço subia, pulsando e implorando pra sair, mas eu não podia expeli-lo. Precisava mantê-lo ali dentro, oscilante, porém seguro."

"'Prometo que jamais vou te machucar de novo', falou, o rosto mergulhado nos meus cabelos."

"Os hematomas no meu pulso ainda nem tinham sarado. Naquela vez, tinha ficado orgulhosa de mim mesma por tê-lo perdoado. Tinha me convenciso de que o incidente não se repetiria. Como isso foi acontecer de novo?"

"(...) Não conseguia entender como ele era capaz de me bater. Não só de me dar um empurrão ou ele me agarrar pelo pulso, mas me bater mesmo. E não conseguia entender como, em um minuto, podia estar me dando socos na cara e, no próximo, estar dizendo que me amava."

"Pela primeira vez desde que toda essa loucura tinha começado, me dei conta de que ele jamais pararia de me agredir. Não havia como evitar que ele perdesse a cabeça. Não havia como fazê-lo parar."

Jennifer Brown
Jennifer Brown

Jennifer Brown nasceu em Kansas, passou boa parte de sua vida no subúrbio, mas também morou em Nova Jersey, mesmo assim se considera totalmente uma garota do centro-oeste rural dos Estados Unidos. Ela diz que teve muitos amigos imaginários, o que pode ser bom, porque teve que se mudar muito e o conviver com amigos reais era difícil.
Ela se formou em Psicologia e conseguiu alguns trabalhos de Recursos Humanos, mas não demorou muito para ela perceber que essa não seria sua profissão.
O que é inusitado é que Jennifer apesar de ter escrito um livro tão intenso como A Lista Negra, na verdade ela escrevia colunas de humor para um jornal. Inclusive ganhou dois Erma Bombeck Global Humor Award (2005, 2006), mas deixou de ser colunista e agora se dedica em tempo integral para os livros jovem-adulto. [Fonte: Skoob]

domingo, 13 de maio de 2018

A Conspiração da Senhora Parrish - Liv Constantine

Editora Harper Collins
Título original: The Last Mr. Parrish
Tradução Mariana Mata
ISBN 978-84-9139-260-0
400 páginas
**** 4 estrelas no Skoob
Amber conheceu Daphne Parrish, a rica e amada Sra. Jackson Parrish, conforme planejou e logo se tornou a melhor amiga, frequentando a mansão e sentindo o gosto do que seria estar em seu lugar, usufruir do marido bonito, milionário, livre das duas filhas do casal, Talullah e Bella. Para isso, planejou os passos para tomar seu lugar e se tornar a verdadeira Sra. Parrish. Esqueceria o passado comprometedor e teria a vida sonhada. 
Daphne era a Sra. Parrish, confiava em Amber, que chegou em momento certo em suas vidas, de uma utilidade sem precedentes.
Um livro instigante. Interesses, inveja, egoísmo,  abusos. Prende do início ao fim para quem aprecia livros com carga psicológica dramática.
Recomendo. "Então e tu? — perguntou-lhe Gregg. — Eu adoro arte, por isso visito museus sempre que posso. Adoro nadar e passei a gostar de andar de caiaque. Leio imenso. — Eu não leio muito. Penso sempre: porquê ler sobre a vida de outras pessoas quando devias estar a viver a tua própria? Amber impediu-se de cuspir a comida de estupefação e simplesmente assentiu com a cabeça. — É uma visão interessante sobre os livros. Nunca tinha ouvido essa antes."

Liv Constantine 
Lynne Constantine e Valerie Constantine - Liv Constantine


Liv Constantine é o pseudônimo das autoras e irmãs best-sellers USA Today e WSJ, Lynne Constantine e Valerie Constantine. Separadas por três Estados, elas passam horas tramando via Facetime e enviando os e-mails uma para a outra. Elas atribuem sua capacidade de inventar histórias sombrias às horas que passaram ouvindo histórias transmitidas por sua avó grega. A ÚLTIMA SRA. PARRISH é o seu thriller de estreia.
Lynne é uma escritora de ficção viciada em Twitter que bebe café e está sempre trabalhando em seu próximo livro. Ela gosta de administrar seus planos de Tucker, seu golden retriever, que nunca os critica.
Lynne é autora de THE VERITAS DECEPTION e co-autora de CIRCLE DANCE, além de vários contos. Ela também é uma estrategista de mídia social e palestrante.
Lynne tem mestrado pela Johns Hopkins University.
Para mais informações sobre Lynne, visite www.lynneconstantine.com
Valerie sempre amou livros e passou muitas noites lendo à luz de seu abajur até as 3 da manhã. Ela se formou de Nancy Drew em Shakespeare e estudou na Universidade de Maryland, onde se formou em Literatura Inglesa.
Valerie é co-autora de CIRCLE DANCE. Ela passa parte do ano na Inglaterra e mora em Annapolis, Maryland com seu marido e Zorba, seu brilhante Cavalier King Charles. Visite Valerie em www.valerieconstantine.com

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Você - Caroline Kepnes

Título original: You A Novel

Editora Rocco / 2018
384 páginas
Tradução Alexandre Martins
Joe trabalha numa livraria quando conhece Beck e se apaixona.  Nada sabe da garota, mas em épocas de mídias digitais logo descortina toda a atividade intelectual, endereço, amizade. Planeja outros encontros, passando-se como coincidência, e logo começa a vigiá -la, invadir as correspondências e sigilos da sua amada. Claro,  e por ser tão excessivamente amada, protegida dos que se metem em seu caminho de conquista. O primeiro é Benji, uma espécie de namorado da moçoila cobiçada. Mas há outros que devem ser tratados, extinguidos, além da conquista daquela que é destinada,  assim acredita, para ela.
A obsessão de Joe é descrita no livro magistralmente em forma de diálogo com Beck. Um ótimo livro que mostra que a posse, o excesso de zelo, de invasão, posse, é uma ameaça e um alerta. A citação de obras, autores, filmes e músicas por todo o livro é uma viagem à parte. Quem dera ler mais livros e compositores dentro de outros livros! Farei uma lista dos citados para ampliar a viagem
Vale a pena ler Caroline Kepnes. Tornou-se uma das minhas preferidas escritoras.


"Eu conheci e.e. cummings da forma mais sensível e inteligente pela qual homens da minha idade chegam a e.e. cummings, por intermédio de uma das cenas mais românticas de uma das histórias de amor mai românticas de todos os tempo, Hannan e suas irmãs, na qual um nova-iorquino inteligente, sofisticado e casado, chamado Elliot (Michael Cane) se apaixona pela cunhada (Barbara Hershey). Ele precisa ter cuidado. Não pode fazer um avanço descontraído."

"Veja a inveja. Como ela pode não ter peso da ambição? Você sente pena dela. Como ela pode não ter ambição?"

"Não fiz universidade (...), então não desperdiço minha vida adulta tentando resgatar meu tempo de faculdade. Não sou cretino frouxo que nunca teve colhões para viver a vida agora, como ela é. Eu vivo para viver, e pediria outra vodca com soda, mas isso significaria falar com o bartender de camiseta do Bukowski, e ele me perguntaria novamente que tipo de club soda quero."

Caroline Kepnes 
Gêneros Ficção,Suspense e Mistério. Nascimento: 10/11/1976. Local: Estados Unidos - Massachusetts - Hyannis
Caroline Kepnes é autora de contos e romances. Você, seu primeiro romance, foi traduzido em 19 idiomas e dará origem a uma série de TV estrelada por Elizabeth Lail (Once Upon a Time) e Pen Badgley (Gossip Girl). [Fonte: Skoob]

O jardim das borboletas - Dot Hutchison

Título original The butterfly garden
Editora Planeta do Brasil
Tradução Débora Isidoro e Carolina Caires Coelho
Ficção policial americana suspense
Trilogia O colecionador
Tido como o primeiro livro da trilogia "O Colecionador".
Narrado em primeira voz por uma garota que foi resgatada de um cárcere junto com outras jovens e pela narrativa também em primeira pessoa do policial  bonzinho e sensível Victor Hanoverian.
No depoimento, a garota que é chamada por Maya, diz ter vivido quatro anos, juntamente com mais vinte e três, em cárcere. Delas, apenas treze sobreviventes. Encarceradas num jardim rodeado de vidros e borboletas, com as costas tatuadas com temas também de espécimes de borboletas, estupradas diariamente pelo algoz O Jardineiro e seu violento filho Avery. Sabiam que, assim como as borboletas,  tinham uma vida curta, já que, ao completarem 21 anos seriam mortas pelo Jardineiro e preservadas em vidro e resina no mesmo jardim que era prisão e casa de todas. E assim foi por mais de trinta anos. Façamos as contas: digamos que o Jardineiro raptasse cada vítima aos dezesseis anos, que era a média de idade que visava, cada uma viveria mais cinco anos, depois de chegar à prisão. Quando uma morria, outra era capturada. ou seja, quase 20 vidros com os cadáveres de meninas desde vinte e cinco anos atrás (tempo que a primeira "leva" completaria 21 anos. Em 30 anos, seriam quase 120 tumbas de vidro em exposição no tal jardim-das-borboletas-prisão. Ou mais, porque algumas eram capturadas com mais de dezesseis anos. Ilógico.
O tema,  a trama seria até interessante: um psicopata que sequestra garotas de quatorze a dezesseis anos, aprisiona-as num jardim para servir aos seu instinto animal para depois matá-las, preservando as tatuagens que faz em suas costas.
Mas ele não usava armas, não tinha vigilância. O que alimentava o medo das garotas eram as ameaças físicas. E, mesmo assim, subjugava vinte e três saudáveis moiçolas num lugar que, evidentemente, teve uma construção minuciosa, uma manutenção e limpeza, comida bem substancial, suporte tecnológico pra tanto subir e descer de paredes num apertar de controle remoto. E isso por mais  de trinta anos! Trinta anos de moças que chegam, morrem e requerem mais e mais urnas de vidro e mais resinas.... Não dá pra supor tal aberração. 
Que a autora pesquisasse mais antes de escrever o livresco.
Ruim pela falta de sentido lógico.

"(...) Como defendemos a liberdade de expressão, não há nada que possamos fazer.
- Acho que me acostumei tanto com os horrores do Jardim que esqueci quão horrível o mundo exterior também pode ser.
Ele daria qualquer coisa para poder dizer que aquilo não era verdade.
Mas era, e então ele simplesmente fica em silêncio"


Dot Hurtchicon

Dot nasceu em uma ilha entre dois furacões e ela tem causado problemas desde então. Uma fervorosa leitora, escritora, ela também trabalhou como instrutora em um "Boy Scout Camp", uma peça de jogo de xadrez de combate vivo e um proxenetista de livros. Careceu de mais informações sobre a escritora para complementar algo mais em sua biografia aqui no Antidepressivo.

Filha da fortuna - Isabel Allende

Editora Bertrand Brasil
479 páginas
Finalmente fui apresentada à escritora Isabel Allende. Longa espera, desculpável pela longa fila de autores para se conhecer. Escolhi a esmo o primeiro. A Filha da Fortuna foi uma grata surpresa. Não esperava que fosse tão primoroso na construção histórica,  na fieldade aos costumes de cada cultura abordada: oriental e ocidental, China, Chile e EUA.
Eliza Sommers foi um bebê abandonado em 1832 à porta da casa de Rose Sommers, uma inglesa que vivia em Valparaíso, Chile, que, após uma decepção amorosa, decidiu viver aristocraticamente apenas com o irmão Jeremy, porém só. Considerou a criança a filha que não teve e a criou perto disso. Eliza, pequena, que tinha o olfato desenvolvido além de memória prodigiosa, cresceu isolada, porém feliz até os dezessete anos, quando viu pela primeira vez Joaquín Andieta, um empregado do seu tio, apaixonando-se perdidamente, entregando-se de todas as formas ao sentimento arrebatador. O rapaz não seria aceito entre os que rodeavam Eliza, mas não deixou de vivê-lo mesmo assim.
Logo a fama de ouro na Califórnia chegou a Valparaíso e Joaquín decidiu ir embora, fazer fortuna para tirar a mãe e a si próprio da miséria,  abandonando Eliza, que nem se sabia grávida ainda.
Em nome do amor, Eliza decide encontrar o amante de qualquer forma com a ajuda de Tao Chi'en, um chinês que saiu do seu país como marinheiro sequestrado e acabou como um estudioso da medicina oriental. Como encontrar o amante num  país estranho, nas mãos de um oriental que não conhecia, uma jovem entre prostitutas e caçadores de ouro? Eliza apenas era guiada pelo sentimento de amor que levava consigo e a certeza que encontraria Joaquín novamente. 
Um bom livro. Recomendo.

"Eliza apaixonou-se pela liberdade. Tinha vivido entre as quatro paredes da casa dos Sommers, num ambiente imutável, onde o tempo rodava em círculos e a linha do horizonte mal se entrevia através das janelas estreitas, cresceu na armadura impenetrável das boas maneiras e das convenções, treinada desde sempre para agradar e servir, limitada pelo espartilho, pelas rotinas, pelas normas sociais e pelo temor. O medo tinha sido seu companheiro: medo de Deus e da sua imprevisível justiça, da autoridade, dos seus pais adotivos, da doença e da maledicência, do desconhecido e do diferente, de sair da proteção de casa e de enfrentar os perigos da rua, medo da sua própria fragilidade feminina, da desonra e da verdade."

Isabel Allende
Isabel Allende nasceu em 2 de agosto de 1942, em Lima, no Peru, onde o seu pai diplomata se encontrava em trabalho. No entanto, a sua nacionalidade é chilena, tendo-se tornado cidadã norte-americana em 2003. É filha de Tomás Allende, funcionário diplomático e primo-irmão de Salvador Allende, e de Francisca Llona.
Isabel é considerada uma das principais revelações da literatura latino-americana da década de 1980. Sua obra é marcada pela ditadura no Chile, implantada com o golpe militar que em 1973 derrubou o governo do primo de seu pai, o presidente Salvador Allende (1908-1973).
O seu livro editado foi A Casa dos Espíritos (1982) (La casa de los espíritus) que ganhou reconhecimento de público e crítica. A obra resultou num filme A Casa dos Espíritos (1993) realizada por Bille August, com Jeremy Irons, Meryl Streep, Winona Ryder e Antonio Banderas, tendo grande parte das rodagens ter decorrido em Portugal, em Lisboa e no Alentejo.
Em 1995 lançou o livro Paula, que a autora escreveu para a sua filha que estava em coma devido a um ataque de porfiria. Como a autora não sabia se a sua memória voltaria após a saída do coma, Isabel Allende resolveu contar a sua história para auxiliar a filha a lembrar dos fatos. Paula passou a ser então um retrato auto-biográfico. [Fonte: Wikipedia]

domingo, 7 de janeiro de 2018

Entre irmãs - Frances de Pontes Peebles

Título original : The Seamstress
Publicação em 2008
Tradução Maria Helena Rouanet
576 páginas
Editora Arqueiro
Ficção americana

Duas irmãs órfãs criadas pela tia no interior de Pernambuco. Emília e Luzia dos Santos tinham sonhos e modos de perceber a vida bem diferentes, em comum apenas a profissão da tia Sofia, costureiras. Era década de 20, depois 30, época que reinava o medo dos cangaceiros, a política fervia mais nas veias do povo que na atualmente, a revolução de 30, era Vargas. Emília queria um amor, fugir de Taquaritinga; Luzia queria sobreviver, realista, deficiente depois da queda de uma mangueira. E também o destino das duas foi diferente: uma para a capital, casada com Degas, que poderia lhe proporcionar tudo que sonhava: sair do interior, viver na cidade, aprender a ser mais fina; Luzia foi sequestrada por Carcará, um cangaceiro com fama de sanguinário. Não escolheram seus caminhos. Foram levadas pelos acontecimentos sem escolhas, ou quase isso.
Um livro bem escrito, discrição de ambientes e personagens fiéis ao propósito desde o princípio, a realidade do nordeste na época, a seca, os retirantes, a fome, o coronelismo, a corrupção, pesquisa detalhada e bem concatenada.
Foi transformado em filme que se converteu em minissérie por uma emissora de TV.
O livro foi publicado originalmente nos EUA. A escritora pernambucana, mesmo morando fora do país, guardou uma lembrança fiel dos costumes locais e pesquisa da época.

"'Uma boa costureira tem de ser corajosa', era o que tia Sofia costumava dizer. Por muito tempo, Emília discordou. Achava que coragem envolvia risco. Na costura, tudo era medido, riscado, experimentado, refeito. O único risco era errar."

"O coronel Pereira reclamava do atual governador, dizendo que ele tinha aliciado rapazes pobres da cidade e, depois de lhes dar armas ultrapassadas e declará-los soldados, mandando que fossem assumir postos no interior. Nesses locais, os tais soldados mais arranjavam confusão do que faziam algo de bom., Ou eram brigões, ou depravados, tão arruaceiros e cruéis quanto um bando de cangaceiros. O povo do sertão tinha lhes dado o apelido de macacos."

"Um homem calado ouve. Aqui, por essas bandas, quem não ouve não é homem. É um cadáver."

"Não, Antônio(...). Padres não salvam nada. Só alimentam medos. Desconfio de quem serve a mestres invisíveis. Eu sirvo aos corpos. Sirvo a algo real, tangível. Algo que pode ser provado."


Frances de Pontes Peebles

Frances de Pontes Peebles
Frances de Pontes Peebles nasceu no Recife e foi criada em Miami, Flórida. Formou-se em letras pela Universidade do Texas, em Austin, e completou o famoso Iowa Writers’ Workshop. Em seguida recebeu bolsa do Programa Fulbright e do Instituto Sacatar. Seu livro ENTRE IRMÃS(publicado originalmente como, A Costureira e o Cangaceiro) foi traduzido para nove idiomas e recebeu os prêmios Elle Grand Prix for Fiction, o Friends of American Writers Award e o Michener-Copernicus Fellowship. Além disso, ENTRE IRMÃS foi adaptado para o cinema pela Conspiração Filmes e para a TV [], em formato de minissérie. Frances retornou ao Brasil em 2009, para cuidar da fazenda da família, e no fim de 2012 se mudou novamente para os Estados Unidos com o marido e a filha. [Fonte: www.francespeebles.com]

Forrest Gump - Winston Groom

Editora Rocco
Tradução Ana Luisa Dantas Borges
195 páginas

Forrest é um jovem com retardo mental. Pela ingenuidade e incapacidade de raciocínio para atitudes e expressões, todas as atividades que é convidado ou se propõe fazer terminam em algo inesperado, trágico, cômico, a maioria sem sucesso. Mas não um insucesso completo. O rapaz até consegue chegar aonde é proposto, consegue obedecer, fazer o que mandam, então tudo dá certo, porém tamanha obediência sempre definha ao final. Jogar futebol americano, entrar para o o exército, ir para a guerra do Vietnã,  encontro com o Presidente do país, ser um profissional de luta livre e tantas outras proezas aventureiras dignas de uma montagem de realidade fantástica. Pelo caminho, consegue amizades que o marcam e não consegue esquecer  Jenny, que conhece desde a infância.
Apesar da comicidade, o personagem encanta pela verdade, mesmo com dos fatos inverossímeis do decorrer da vida do rapaz. Finda que a pureza vence.

"-Sou um maldito aleijado sem pernas. Um vagabundo. Um bêbado. Um vadio de trinta e cinco anos.
- Podia ser pior - eu disse .
- Oh, é mesmo? Como? - ele disse.
E nessa ele me pegou, por isso acabei falando de mim mesmo - de como fui parar no depósito de malucos, coo me lançaram num foguete e aterrissei no meio dos canibais, e do Sue e da Major Fritch, e dos pigmeus."

"Posso ser um idiota, mas na maior parte do tempo tentei fazer a coisa certa. E sonhos são apenas sonhos, não são? Assim, independente de qualquer outra cousa que pudesse ter acontecido, acho que posso olhar pra trás e dizer que, pelo menos, não levei uma vida monótona. ENtendem o que quero dizer?"


Winston Groom
Winston Groom
Winston Groom nasceu nos Estados Unidos, em 1943. Após servir o exército e até lutar no Vietnã, trabalhou como repórter em Washington. Escreveu 16 livros, inclusive Forrest Gump, Forrest and Co., Patriotic Fire, Shrouds of Glory e Conversations with the Enemy (com Duncan Spencer), finalista do prêmio Pulitzer. Atualmente mora com a esposa e a filha em Point Clear, no Alabama. [Fonte: Editora Aleph]

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Fantasma sai de cena - Philip Roth

Título original: Exit Ghost
Publicado originalmente em 2007
Tradução: Paulo Henrique Britto
Editora Companhia das Letras

Nathan Zuckerman (a volta de Zuckerman de outros livros do autor) tem 72 anos, escritor que decidiu se isolar numa propriedade rural e deixar o contato com notícias, cidades, público. Inicialmente a decisão foi gerada por cartas anônimas com ameaça de morte que recebia. Porém, decide voltar a Nova York para tratar sua incontinência urinária persistente que o acompanha há uns 7 anos, desde sua cirurgia para tratar o câncer de próstata. No hotel, percebe um anúncio que propõe uma permuta por um ano de um apartamento em Nova York por uma propriedade bucólica afastada. Com impetuosidade, decide se propor ao negócio e se encontra com Billy e sua esposa Jamie, por quem desenvolve uma paixão platônica. Paralelamente, é importunado pelo aprendiz de escritor Kliman, que se propõe a escrever a biografia de um amigo lá do seu  passado distante e já falecido, Lonoff. O insistente candidato a biógrafo também é amigo de Jamie. 
O personagem, idade, personalidade do Zuckerman não surpreende no livro de Roth, já que, em sua maioria, seus livros possuem seu alter ego estampado. Porém surpreende o livro tão indigno do autor, de quem sou fã ardorosa. Não empolguei, como na maioria de suas obras, seja pela monotonia, pela falta de consistência dos personagens, pela trama fraca. 
Philip Roth
Já que se trata de Roth, vale a pena. Mas leia todos os demais dele antes de chegar ao fantasma que infelizmente não é fantasma de fato.

"Eu viera para Nova York apenas por conta da promessa daquela intervenção cirúrgica. Viera em busca de uma melhora. Porém, ao sucumbir à vontade de recuperar algo perdido — um desejo que havia muito tempo eu vinha tentando conter — eu me abrira à crença de que me seria possível, de alguma maneira, voltar a ter o desempenho do homem de outrora. Havia uma solução óbvia: no tempo que levei para voltar ao hotel — e me despir, tomar um banho e vestir roupa limpa — resolvi abandonar o plano de trocar de residências e voltar imediatamente para casa."
(ROTH, 2007, p. 72)

"ele : E pode haver uma razão maior do que essa?
ela: Fugir da dor.
ele: Que dor?
ela: A dor de estar presente.
ele: Você não está falando de você mesma?
ela: Talvez. A dor de estar presente no momento presente. É, isso também se aplica muito bem à coisa extrema que eu estou fazendo. Mas pra você não era apenas o momento presente. Era estar presente. Estar presente na presença de qualquer coisa."
(ROTH, 2007, p. 89)
 
Philip Roth
Nasceu em 19 de março de 1933, Newark, Nova Jersey, EUA. Romancista norte-americano, associado pela sua educação e temática literária à comunidade judaica. É considerado um dos maiores escritores norte-americanos da segunda metade do século XX.
Grande parte da obra de Roth explora a natureza do desejo sexual e autocompreensão. A marca registrada da sua ficção é o monólogo íntimo, dito com um humor amotinado e a energia histérica por vezes associada com as figuras do herói e narrador de O Complexo de Portnoy, a obra que o tornou conhecido.
[Fonte: Wikipedia]

terça-feira, 31 de outubro de 2017

O azul dos teus olhos - Mary Higgins Clark

O azul doa teus olhos
Mary Higgins Clark
Bertrand Editora
304 páginas 

Uma produtora de seriados de tv e seu filho são ameaçados de morte pelo assassino do marido, um médico bonito e competente. Ela, também bonita e competente, tem apenas o pai para protegê-la, um policial reformado velho e competente. A produtora bonita e perfeita está com um novo projeto de filmar assassinatos reais sem solução (como o do marido bonitão morto) e o primeiro episódio envolve uma socialite bonita casada com um multimilionário que é assassinada na festa de formatura da filha e das amigas, todas lindas, mas não tão competentes.  No emaranhado de suspeitas ainda há uma governanta, um motorista e um amante. Todos lindos. Até o assassino do médico primeiro morto, que tem os olhos azuis. Fim da farsa, nem os olhos são realmente azuis do bandido.
Péssimo livro, previsível, não prende e cheio de personagens "enche página ". Não entendo como essa autora infeliz tem uma fama de ser escritora policial boa. Só se for "bonita e perfeita " como os personagens sem personalidade que ela cria: uma farsa!


Mary Higgins Clark
Mary Higgins Clark
Nasceu em 24 de Dezembro de 1927, Bronx, Nova Iorque, EUA. O pai morreu quando ela tinha dez anos, deixando a família numa situação econômica difícil. Depois de terminar os estudos do ensino secundário, Mary tirou um curso de secretariado e trabalhou no cargo numa agência de publicidade durante três anos. Abandonou a agência para trabalhar como hospedeira do Pan American Airlines, onde ficaria até ao seu casamento com um amigo de longa data, Warren Clark. Em 1956 começou a escrever contos para jornais e revistas e peças para a rádio. O primeiro livro que publicou foi uma biografia de George Washington,Aspire to the Heavens. Warren viria a morrer em 1964, vítima de um ataque de coração. Mary ficou com cinco filhos a seu cargo. Foi então que decidiu dedicar-se à escrita. Todos os dias se levantava às 5 da manhã e escrevia até às 7, hora a que preparava os filhos para a escola. O seu primeiro livro policial Where Are the Children?, publicado em 1975, tornou-se um best-seller. Mary decidiu continuar os estudos e inscreveu-se na Fordham University, onde, em 1979, se doutorou summa cum lauda em Filosofia. Desde então foi distinguida com 16 doutoramentos honoris causa e tem recebido numerosos prêmios literários. Os seus livros estão traduzidos em várias línguas. Em 1996 Mary casou com John J. Coheeney. No mesmo ano, lançou o Mary Higgins Clark Mystery Magazine. Atualmente reside em Saddle River, New Jersey. É uma escritora contemporânea norte-americana. [Fonte: Wikipedia]

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Tempo é dinheiro -Lionel Shriver

Tempo é Dinheiro - Lionel Shriver
Título original: So Much for That
Ano de publicação: 2010
Editora Intrínseca / 2012
Tradução Vera Ribeiro
464 páginas 

Shep, ou Shepherd Armstrong Knacker, desde a adolescência,  teve, pesquisou e alimentou o sonho de "Outra Vida", ou seja, mudar-se para algum país na África e lá viver como milionário, já que, por lá, vivia-se com dois reais ao dia. 
Depois de ter vendido sua empresa de faz-tudo "Knak para toda obra" a um dos empregados, um gordo e incompetente que ganhara uma herança, seria uma forma de viver eternamente como rico.  Mesmo com a venda, continuou na sua empresa, agora a "Randy mão na obra", porém como empregado. Um arranjo temporário que deveria ser por pouco tempo e se estendeu por oito anos. Então, quando ele estava disposto a tomar as rédeas de sua Outra Vida, a esposa Glynis descobre que sofre de câncer e todo o planejamento da viagem se desfaz. Sem falar que o fundo para uma vida de milionário em Pemba, na África, também tem seu futuro sombrio com os custos do tratamento de saúde da esposa, nem todo coberto pelo seguro de saúde, e, por ser um câncer raro chamado mesotelioma, pelo preço de um profissional especializado.
Sem falar na dilapidação gerada pelo pai de Shep, idoso, com uma curta renda de pastor aposentado, que também necessita de ajuda financeira, bem como a irmã folgada.
Jackson ajudou Shep a fundar a Knak mão na obra e também era o melhor amigo de seu antigo patrão, agora colega de trabalho. Sua vida, assim como de sua esposa Carol, gira em torno da filha mais velha Flicka, que possui uma doença degenerativa genética.
Os problemas conjugais, a resiliência que chega às raias da babaquice de Shep, a personalidade difícil de Glyndes, o filho adolescente alheio e esquisito, a pãodurice, o sexo no casamento, percepção pessoal de inferioridade no relacionamento, eutanásia, a saude pública quase inexistente nos EUA, o falastrão e revoltado Jackson que faz vários discursos contra governo, sobre a vida, trabalho, falas dos personagens que enriquece o livro, quando a autora navega de forma sublime por esses e outros vários temas.
O segundo livro da autora que leio. Julguei de antemão que me causaria impacto a leitura, levando em conta o primeiro.
A autora
Lionel Shriver
Lionel Shriver nasceu em 18 de maio de 1957 (60 anos), Gastonia, Carolina do Norte, EUA, é uma jornalista e escritora bestseller americana, famosa por sua obra We Need to Talk About Kevin. É de uma família extremamente religiosa, sendo o seu pai pastor presbiteriano. [Fonte: Wikipédia]

Passagens: 
"Embora ainda fosse capaz de perceber a diferença entre sessenta e sessenta e cinco anos, nos últimos tempos, todos os seus conhecidos mais novos tinham entrado na categoria indiferenciada de Mais Jovem Que Eu, o que era estranho, porque ele já passara por aquelas idades, sabia como eram e que aparência tinham no espelho."

"Pessoalmente, Shep não compreendia por que alguém quereria ser médico. Ah, é clato que as tarefas de introduzir um stent numa artéria e desobstruir um ralo de banheira eram tecnicamente similares. Mas o médico era uma espécie de faz-tudo que, numa percentagem apreciável do tempo,  tinha que bater à porta e dizer: sinto muito, mas não posso desobstruir seu encanamento. Era para isso que servia agir com gentileza: paraa parte do sinto muito. E depois ele se retirava, talvez dando adeusinho, e deixava o sujeito com a água imunda estagnada na banheira. Por que é que alguém havia de querer um trabalho desses?"

"É como se, agora, todo mundo andasse exibindo suas neuroses. Costumávamos ser cercados por um bando de gente de aparência sofrivelmente normal, que ia para casa e se olhava no espelho, infeliz. Agora, você anda pela rua e as mulheres têm seios do tamanho de um dirigível. Homens de vestido, entupidos de hormônios,  usam sutiã de armação e, pela dobra das calças colantes, de lycra, dá para ver que foram todos esculpidos com um talho grotesco de vagina. É como ter que viver nas paisagens oníricas dos outros."

"Para sua surpresa, dormiu um sono profundo. Para sua vergonha, estar na cama sozinho foi um alívio. A simplicidade, a vastidão sem exigências dos lençóis vazios. Não se apercebera da tensão de um outro corpo ao lado do seu, apodrecendo um pouco mais a cada minuto, de dentro para fora. Da energia

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

A vida que enterramos - Allen Eskens

Título original: The life we bury
Tradução Renato Marques e Alexandre Raposo
272 páginas
Editora Intrínseca 

Escrito pela voz de Joe Talbert, jovem universitário, recém saído de casa para estudar, deixando o irmão mais novo e a mãe alcoólatra, porém não isento de culpa.
Em uma disciplina da universidade, tem de desenvolver a biografia de alguém idoso e o único que conhecia era seu avô,  morto quando tinha 11 anos. Então vai a uma casa de repouso. Ali pessoas idosas abundam. Porém, o único consciente era um recém chegado à instituição, doente terminal de câncer, em liberdade provisória depois de 30 anos preso por estupro e assassinato de menor.
Apesar de chocado com a maldade de seu objeto biográfico, Joe começa a se interessar pela estória de Carl Iverson, partindo para uma investigação junto com sua vizinha e crush Lila, mesmo com a responsabilidade que sente pelo irmão Jeremy.
Um livro razoável,  quase passável. Previsível. 

"O filósofo Blaise Pascal disse certa vez que, caso você precise escolher entre acreditar ou não em Deus, é melhor acreditar. Porque se você acreditar em Deus e estiver errado.... bem, nada acontecerá. Você simplesmente morrerá no vazio do universo. Contudo, se não acreditar em Deus e estiver errado, então passará a eternidade no inferno, ao menos de acordo com algumas pessoas". 

"Diariamente somos cercados pelas maravilhas da vida, maravilhas além da nossa compreensão, e simplesmente a tomamos por certas. Naquele dia, decidi viver a vida em vez de apenas existir. Se eu morresse e descobrisse o paraíso do outro lado, bem, isso seria muito bom, muito legal. Mas se eu não vivesse a minha vida como se já estivesse no paraíso, morresse e encontrasse apenas o nada, bem.... eu teria desperdiçado a chance. Eu teria desperdiçado a minha única oportunidade de estar vivo."

Allens Eskens
Nasceu em 17 de março de 1963, Mankato, Minessota, EUA. Advogado criminalista,  este é seu romance de estréia.

Todos os belos cavalos - Cormac McCarthy

Ano de publicação: 1992
Editora Companhia das Letras
Páginas:280

John Glady Cole e seu amigo Rawlins, jovens de 16 e 17 anos, decidiram viajar para o México em busca de uma nova vida, aventuras, cada um com seu cavalo, fugindo de casa. No caminho, encontraram o mais jovem ainda Blevins, misterioso e esquisito garoto que os seguia na estrada, forçando sua presença, mesmo a contragosto de Rawlins. Logo Blevins ficou para trás e os dois seguiram, trabalham numa fazenda, amansaram cavalos, foram presos, mataram, Glady se apaixona pela filha do fazendeiro, Alejandra. Uma estória de amizade, trabalho, amor e perseverança.  Uma forma de escrever que não tinha me deparado ainda, onde descrever traços humanos físicos não é importante, mas as situações, num detalhamento quase teatral, surpreende.
Um bom livro. 

"Para que acha que serve cercar o cavalo desse jeito?, perguntou Rawlins.
Não sei, disse John Glady. Não sou cavalo."

"Ficou deitado no escuro pensando em tudo que não sabia sobre seu pai e compreendeu que o pai que conhecia era o pai que sempre ia conhecer. Não queria pensar em Alejandra porque não sabia o que vinha pela frente ou que seriedade teria isso e achava que ela era uma coisa que era melhor poupar. Por isso pensava em cavalos e pensar neles era sempre a coisa certa."

"Quando fiz dezesseis anos já tinha lido muitos livros e me tornado uma livre-pensadora. Em todos os casose recusava a acreditar num Deus que permitia a injustiça que eu via num mundo criado por Ele."

Cormac McCarhy nasceu em Providence, Rhode Island, EUA, 1933. Serviu nas forças aéreas, escreveu o primeiro livro em 1965. Depois mais nove.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Um pequeno favor - Darcey Bell

Título original: a simple favor
Editora Bertrand Brasil/ 2017
Tradução: Ana Carolina Mesquita
336 páginas
Ficção americana
A autora poderia fazer um pequeno favor à humanidade e não escrever mais.
Conta a estória de uma mãe-blogueira-viúva-carente, Stephany, que finalmente encontra uma mãe amiga, Emily. Quando essa dita amiga some, deixando o filho Nicky aos seus cuidados, entra em desespero e de desaparecida muda o status para morta. Consolando o recém viúvo e agora amigo Sean, acabam tendo um caso, juntando escova de dentes e os dois filhos num saco só, ou melhor, numa família só. Mas Emily, a mãe -amiga-desaparecida-morta não morreu. Quem morreu foi a irmã gêmea da dita cuja que ninguém sabia que existia, nem o marido-não-mais-viúdo-galinha.
Claro que não tinha morrido. Tudo era um plano para dar o golpe do seguro de vida e arreganhar uma grana boa. Plano do potente Sean e da desequilibrada Emily.
Tem nessa pantomima toda a mãe com alzheimer da mãe amiga Emily e o enfadonho e sem sentido blog da Stephany, a mãe -carente-enxerida-blogueira.
Essa coisa do blog merecia um parágrafo medonho de reclamação de minha parte. Afinal, a dita blogueira escreve tudo lá,  se dirigindo à famigerada raça mães como amigas e desabafa até sua vida incestuosa. Sim! A criatura teve um filho com o irmão e o marido mortinho nem sabia, mas fala no blog. "Meu irmão gostoso Chris é irresistível na cama".
E a autora Bell conta na voz de Stephany, Emily e Sean essa saga toda. Claro, a maioria das falas da primeira é como se escrevesse no chato blog.
A jamanta-autora ainda descreve que as gêmeas eram tão parecidas que até as digitais eram iguais. Faltou pesquisar direito, heim, Bell?
A morta volta viva pra casa, o marido sai; Stephany volta a ficar sem amiga mãe,  já que Emily a usou como peixe no golpe; fica no ar, ao findar as páginas, a insinuação que Sean ou Stephany ou ambos serão acusado de matar o investigador de seguro. A malévola Emily sai ilesa, mas também sai lisa.
Aqui jaz puro spoiller. Conto tudo e ainda o final para que não percam tempo lendo algo tão mal escrito, mal alinhavado e ruim.

Darcey Bell
Nasceu em Iowa, EUA, 1981. Professora e mora em Chicago, "Um Pequeno Favor" ´r seu primeiro livro publicado. 

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Foi apenas um sonho - Richard Yates

***
Tradução: José Roberto O'Shea
Título original: Revolicionary road
Romance americano
Editora Objetiva Ltda
306 páginas 

April e Frank Wheeler são um típico casal americano no pós segunda guerra, se conheceram jovens e, com a chegada do primeiro filho se ela abandona o sonho de ser atriz e ele assumeum emprego medíocre. April não se contenta com sua vida como dona de casa, imposição da maternidade. Os dois filhos a consomem. Frank tem um caso com a secretária do trabalho, uma espécie de fuga masculina para as brigas e desentendimentos conjugais.
O momento que vivem é quando se mudam para os arredores de Nova York, numa rua chamada "rua da revolução" para um lugar melhor, julgando-se superiores aos simplórios vizinhos, planejam se mudar para a Europa, ideia de April, para que ela trabalhasse e ele assumisse a casa até se encontrar. Nas entrelinhas, uma forma dela se libertar do cativeiro que julga viver.
Narrado em terceira pessoa, o livro relata personagens secundários, como a corretora de imóveis e seu filho louco, o casal de amigos, os Campbell, a paixão de shep por April, a simplória ingenuidade de Milly.
Um tratado sobre o casamento, a desromantizacão da união "até que a morte os separe". O verdadeiro casamento e a banalização do sentimento e a percepção de que não se ama: acostuma-se.
Foi adaptado ao cinema,  "Revolutionary Road" de Sam Mendes com Leonardo Dicaprio e Kate Winslet.
Bom livro. Recomendo.
Richard Yates




Richard Yates Yonkers, 3 de fevereiro de 1926 — Birmingham , 7 de novembro de 1992, foi um escritor de ficção norte-americano, conhecido por suas obras que retratam a vida no século XX. Seu trabalho mais famoso é Revolutionary Road, de 1961. (Fonte Wikipedia)

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Nossas noites - Kent Haruf

***
Nossas noites - Kent Haruf
Título original: Our Souls at Night
Editora Companhia das Letras /2017
Tradução Sonia Moreira
160 páginas
Ficção americana

Addie, septuagenária viúva que mora sozinha, visita seu vizinho Louis, septuagenário viúvo que mora sozinho. Ela propõe que ele vá dormir com em sua casa para companhia e conversas. Claro, nessa idade, esperar algo mais tórrido seria inglório. Ele vai. Meio nervoso, tímido. Gosta. Gosta tanto que volta, e de novo, de novo.... ficam mal falados na pequena cidade que vivem, mas descobrem que isso não tem importância. O que importa é o mundo novo que se abre com a partilha de companhia entre dois solitários.
Um livro interessante, mostra a mudança de mentalidade que só vem com o amadurecimento, a falta de expectativa no outro, o presente e a aceitação é o que possuem.
O final não foi o que esperava, mas nem a vida nossa é o que a gente espera,  quem dirá uma ficção! 
Kent Haruf



O autor
Nasceu em 1943, em Pueblo, no Colorado. Escreveu seis romances. Morreu em 2014 aos 71 anos. Nossas Noites foi seu último livro. [Fonte: Orelha  do livro Nossas Noites]

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Victoria e o patife - Meg Cabot

Tradução: Marcela Filizola
Editora Galera Record/ 2017
256 páginas
Victoria vem da Índia em um navio e conhece o homem dos seus sonhos que a pede em casamento ainda em alto mar. O capitão do navio, que também é dos sonhos, não a deixa em paz, fazendo pouco caso de seu noivado, perseguição que continua até em terra.
O resto é o previsível de um folhetim romântico, o que seria de esperar de um romance juvenil.

 Autora: Nasceu em Bloomighton, EUA, em 01/02/1967, possui mais de 70 livros publicados, atualmente vive em Nova York

terça-feira, 1 de agosto de 2017

O piano vermelho - josh malerman

**
Tradução Alexandre Raposo
Título original Black Mad Wheel
Editora Intrínseca Ltda/ 2017
320 páginas
Um grupo musical formado por ex combatentes na guerra são contratados para investigarum misterioso som no deserto africano. O som tem o poder de desestabilizar o ser humano, fazendo-o sentir -se mal, além de colocar sem função qualquer arma de fogo.
Philip, um dos músicos, consegue voltar da missão,  porém com tods os ossos do corpo tritutados, e é mantido preso pelo exército para que reveleo que descobriu. E o que sabe tem de levá -lo apenas ao resgate doa amigos desaparecidos, não às forças armadas americanas. Um livro de razoável pra ruim. 


Autor:
Nasceu em Michigan, EUA, em 24/07/1975, vocalista de uma banda de rock The Hide Strug.
TAmbém escreveu "Caixa de Pássaros", já resenhado neste blog. 

terça-feira, 18 de julho de 2017

Inventei você? - Francesca Zappia

Editora: Verus Editora Ltda / 2017
Título original: Made you up
Tradução Monique D'Orazio
Ficção americana
346 páginas 

Alex é esquizofrênica diagnosticada desde a infância. Distinguir o que seria real e fruto de imaginação é um desafio dentro da mente paranoica. Tirar fotos de tudo e todos é uma forma de entender o real. Muda de escola depois que vandalizou a quadra da escola anterior com inscrições sobre comunistas, um de seus medos.  Na nova escola, novo trabalho, uma chance de recomeçar sem que saibam quem ela é de fato. Ate encontrar um garoto de sua turma bem parecido com uma alucinação inesquecível de sua infância. Então ele seria real?
Gosto da temática sobre desordens mentais nos livros. Porém o universo adolescente me aborrece. Então seria um bom livro caso tivesse entrado numa fase mais madura e não ter atolado na pós -infância. 

A grande ilusão - Harlan Coben

Título original : Fool me Oncep
304 páginas Editora Arqueiro / 2017
Tradução Marcelo Mendes
Ficção americana

Maya,agente reformada do exército americano que foi designada para tropas fora do país enterra o esposo assassinado poucos meses depois de fazer o mesmo com a irmã. Tragédias à parte, a personagem principal resolve investigar a morte do marido rico bonito e b sucedido.  Mas é uma viúva atípica, o escritor que me perdoe, mas que pecado construir uma viuvez tão sem sentimento! Entregou a receita do xarope. Desculpem, spoiler. Terrível,  admito. Mas o livro é tão bobo, tão sem pé nem cabeça que vale a pena contar tudo e dizer não leiam. É ruim!
Pior que gosto do autor. Pena.