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quinta-feira, 2 de novembro de 2017

O jardim de cimento - Ian McEwan

Editora Companhia de Bolso
129 páginas
Sem dados de tradução
Julie, Jack, Sue e Tom são uma escadinha de filhos que ficam órfãos de pai e, pouco tempo depois, também de mãe. Menores de idade, ao perceber que iam se separar, indo para abrigos e orfanatos, decidiram não comunicar às autoridades a morte da mãe. O que fazem com o corpo? Escondem num baú cheio de cimento no porão da casa.
A voz que conta a trama é Jack, quinze anos, e em pleno auge hormonal adolescente, tem atração pela irmã Julie, a mais velha da turma.
A ideia do livro é boa, porém torna-se monótona, repetitiva, personagens que reagem com  igual frieza em morar numa casa onde, no porão, está a mãe morta.
Livro regular. Mas tinha nada potencial para ser bom ou ótimo.  

Ian McEwan
Nascido em Aldershot, 21 de Junho de 1948, é um escritor britânico, chamado por vezes de “Ian Macabro”, devido à natureza das suas primeiras obras, e que de romance a romance se tem convertido em um dos mais conhecidos da sua geração.
Passou parte da sua infância no Extremo Oriente, na Alemanha e no Norte de África, já que o seu pai era um oficial do Exército Britânico que foi colocado sucessivamente nesses locais. Estudou na Universidade de Sussex e na Universidade de East Anglia, onde teve Malcom Bradbury como professor. A primeira das suas obras publicadas foi a coleção de relatos Primeiro amor, últimos ritos (1975). Em 1998, e causando grande controvérsia, foi-lhe concedido o Prémio Man Booker pela novela Amesterdão. Em 1997 publicou O fardo do amor, considerada por muitos como uma obra-prima sobre uma pessoa que sofre do síndroma de Clerambault.
Em Março e Abril de 2004, uns meses depois do governo britânico o convidar para jantar com a Primeira Dama dos Estados Unidos (Laura Bush), o Departamento de Segurança Nacional deste país impediu-o de entrar por não ter no passaporte um visto apropriado para trabalhar (McEwan estava a preparar uma série de conferências remuneradas). Só vários dias depois e de se tornar público na imprensa britânica é que se lhe permitiu a entrada.

terça-feira, 15 de agosto de 2017

O órfão de Hitler - Paul Dowswell

O órfão de Hitler
Paul Dowswell
Editora Planeta do Brasil / 2010
272 páginas
Tradução Edmundo Barreiros

Piotr Bruck, alemão criado na Polônia, quando tinha 13 anos teve os pais assassinados pelos nazistas e foi enviado para um orfanato. Por ter características físicas que o aproximavam da perfeição do que o regime nazista pensava sobre a raça pura, foi adotado por um cientista ligado à Gestapo. Na Alemanha, ele se encanta com o novo mundo que os nazistas construíam para seu povo. Se esforçava para ser um aluno aplicado e ser aceito pela nova família.  Mas logo ele percebe a verdadeira face do regime ditatorial do Hitler,  as mortes, as perseguições. A percepção da realidade fez com que mudasse seu ponto de vista, se relacionando com a família de sua namorada Ana. Uma forma de descrever a segunda grande guerra mundial diferente, mostrando a alienação que pairava sobre o povo alemão,  o alheamento e medo pregado pelo regime.
Um bom livro. 



O autor: 
 
Paul Dowswell é um escritor britânico de ficção e não ficção, escrevendo principalmente para crianças e jovens adultos. Ele escreveu mais de 60 livros, principalmente com história como assunto, mas também sobre geografia, história natural e ciência. Ele foi designado como Bolsista de Ensino Visitante da Manchester Writing School em 2016. 
[Fonte: http://www.manchesterwritingschool.co.uk]

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Por trás de seus olhos - Sarah Pinborough


Tradução Alexandre Raposo
Título original Behind her eyes
Editora Intrínseca
352 páginas
Louise é uma mãe solo em Londres, depois do marido Ian. deixá-la por um modelo mais novo. Carência como combustível, acata a cantada de um bonitão num bar e depois descobre que o "achado" era seu novo chefe casado David Martin. Depois ela se torna amiga da esposa desse chefe. Amiga mesmo,  aquele tipo de amizade que chega às raias do lesbianismo. Amiga da esposa do amante chefe gostoso. Ainda bem que a traída pede para que mantenham a amizade em segredo para o marido. Sem falar no segredo do caso para a esposa. Enfim, segredos à parte, Louise começa a desconfiar da posse do marido traidor para com a bela esposa traída. E começa a perceber que há mais segredos no meio envolvendo o casal.
A trama prometia. A forma de escrita idem. Até que começou a viajar na onda de sonho de alma que sai do corpo e vai andando por ai fuçando a vida alheia. Um livro que tendia ao suspense maravilhoso dar uma viajada dessas? Imperdoável. Porém, perdoem-me tal julgamento. Coisa pessoal. Essa coisa fantasiosa misturado com meu assunto predileto, a desordem mental na literatura, para minha pobre percepção literária é um balde de água frio num inverno.
 

A autora 

Nasceu em1972 em Milton Keynes, Inglaterra. A escritora britânica é professora, seu gênero literário é terror, narrativa negra, suspense, sobrenatural, narrativa fantástica. [Fonte Wikipédia]

domingo, 28 de maio de 2017

Em águas sombrias - Paula Hawkins

***
Em águas sombrias - Paula Hawkins
Título original: Down by the Water
Editora Record Ltda / 2012
364 páginas 

A autora de "a garota do trem", suspense psicológico de tirar o fôlego que foi adaptado para cinema, não surpreendeu. Este não é tão bom quanto o primeiro, mas a trama também prende.
Numa cidade que cresceu às margens de um rio, suicídios de mulheres são histórias reais que se contam aos montes. Até o suicídio da escritora Nel que tinha fascínio pelas ocorrências e pesquisava sobre cada uma das mulheres que buscou a morte, até que chegou a vez da amiga de sua filha Lena, Katie.  Desestruturou sua cabeça e trouxe de volta à cidade sua irmã Jules para o velório da escritora suicida. No decorrer do livro, as estórias são narradas em primeira pesssoa, seja por Jules, Lena, o detetive Sean, sua esposa Helen, a detetive Erin, a mãe de Katie, Lauren, o irmão de Katie Josh, a esotérica Nickie, o pai de Sean, Patrick e a própria escritora suicida Nell Abott. Vão se costurando as narrativas.  O final pensa -se que não seria surpreendente, mas nas últimas páginas, nos prega uma peça.
Um bom livro. 
Paula Hawkins

A autora:

Paula Hawkins (Harare, 26 de agosto de 1972) é uma escritora britânica nascida no Zimbabwe, mais conhecida pelo seu romance de suspense, o best-seller The Girl on the Train.
Por volta de 2009, Hawkins começou a escrever comédia romântica de ficção sob o pseudônimo de Amy Silver, tendo escrito quatro romances, incluindo Confessions of a Reluctant Recessionista. Ela não conseguiu nenhum sucesso comercial até desafiar a si mesma a escrever uma história mais adulta e séria. Seu best-seller The Girl on the Train (2015) é um complexo thriller, com temas de violência doméstica, abuso de álcool e abuso de drogas.
Em 2016, foi selecionada pela BBC como uma das 100 Mulheres mais importantes do ano. [fonte: Wikipedia]

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

A Cor do Leite - Nell Leyshon

Mary é uma adolescente analfabeta no ano de1831 e trabalha arduamente na lavoura e em casa junto com três irmãs. Aprende a ler quando vai trabalhar contra sua vontade em uma casa de família de um presbítero como empregada. O livro é como um diário em primeira pessoa lembrando seus últimos anos até o momento que escreve as memórias. Assim, a escrita é feita como pelas mãos de quem não tem estudo, com erros de grafia, pontuação. Mary tem os cabelos e pele brancos como o leite. O avô, idoso, dependente, é a pessoa que ela tem mais afinidade em sua casa.  
Não se trata de uma estória de uma pobre coitada, passiva, mosca morta. Mary tem opiniões, personalidade forte, trabalha muito e tem objetivos. Um deles é aprender a ler e vai às últimas consequencias para chegar a fazê-lo.
Um livro surpreendente. 
três estrelas.

"às vezes é bom ter lembranças por que elas são a história da nossa vida e sem elas não ia ter nada. mas tem vezes que a memória guarda coisas que a gente não quer nunca mais ouvir falar e não importa quanto a gente tenta tirar elas da cabeça. elas voltam."

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Admirável Mundo Novo - Aldous Huxley

Em Admirável Mundo Novo, escrito em 1932, Huxley constrói uma civilização futurista totalitária, onde as pessoas  nascem artificialmente, criadas literalmente, categorizadas desde o período que estão em "cubos", com tarefas pré-definidas, condicionamento mental, durante todo o período de desenvolvimento, que a concepção como entendemos atualmente é tida como vergonhosa, banida da sociedade e que não há relações monogâmicas, duradouras, fecundidade (ou seja, não há laços familiares). "Mãe" ou "pai" são termos quase obscenos. As instabilidades emocionais são tratadas pela ingestão de "soma", uma droga que domina o humor e dá felicidade. A sociedade vive em excessiva ordem, sem oposição ao que é imposto, dividida em castas (alfa, afla mais, betas, ipsilons), determinados pela qualidade do óvulo fecundado. Não há uma entidade divida, há penas Ford, que substitui quase textualmente o Deus atual.
Bernad Marx é um alfa mais que questiona o sistema e se recusa a tomar "Soma", para sentir a realidade tal qual ela é. Ele decide visitar, junto com Lenina, uma bela jovem de casta superior, a reserva onde vivem os "selvagens", tidos como índios que vivem em realidade diversa da que é acostumado, como "no passado". Aí conhece John e descobre que é filho de um diretor que o quer transferir para a Islândia, onde não poderia plantar ideias reacionárias na sociedade. Leva-o de volta consigo, junto com a mãe, Linda, a fim de desmoralizar o seu superior.
Como curador do "selvagem", Bernard adquire respeito e fama, até que seu pupilo recusa-se a participar das aparições públicas, levando-o novamente a ser um alfa em cujo sangue havia, por engano, misturado álcool.  John estava apaixonado por Lenina, que era correspondido, mas ela não concebia o amor tal qual ele acreditava, pois foi condicionada a realidades diferentes.
John, o selvagem, questiona a sociedade, liberdade e Deus. Decide isolar-se, castigar-se pela morte da mãe, pela paixão por Lenina, numa tentativa de purificar-se, mas é descoberto por repórteres...
Como sempre, não terminarei o desfecho do livro. Ford é testemunha que até me alonguei demais na narrativa, e poderia fazê-lo mais, caso não me detivesse, pela simples razão que trata-se de uma excelente leitura. Que Ford lhes dê o entendimento que o livro merece!
Recomendo!
"- Livraram-se deles. Sim, é bem o modo dos senhores procederem. Livrar-se de tudo que é desagradável, em vez de aprender a suportá-lo. Se é mais nobre para a alma sofrer os golpes de funda e as flechas da fortuna adversa, ou pegar em armas contra um oceano de desgraças e, fazendo-lhes frente, destruí-las... Mas os senhores não fazem nem uma coisa nem outra. Não sofrem e não enfrentam. Suprimem, simplesmente, as pedras e as flechas. É fácil de mais." 

"Um ovo, um embrião, um adulto – normalidade. Mas um ovo bokanovskizado tem a propriedade de germinar, proliferar, dividir-se. (...) Mas naturalmente já se faz muito mais, prosseguiu em Centros Tropicais. Singapura tem produzido freqüentemente mais de dezesseis mil e quinhentos; em Mombaça já se atingiu efetivamente a marca dos dezessete mil".

Autor

Aldous Huxley
Aldous Leonard Huxley (Godalming, 26 de Julho de 1894 — Los Angeles, 22 deHuxley. Passou parte da sua vida nos Estados Unidos, e viveu em Los Angeles de 1937 até a sua morte, em 1963. Mais conhecido pelos seus romances, como Admirável Mundo Novo e diversos ensaios, Huxley também editou a revista Oxford Poetry e publicou contos, poesias, literatura de viagem.

Foi um entusiasta do uso responsável do LSD como catalisador dos processos mentais do indivíduo, em busca do ápice da condição humana e de maior desenvolvimento das suas potencialidades.
Estudou medicina na Eton College, e foi obrigado a abandonar aos dezesseis anos, devido a uma doença nos olhos que quase o cegou impedindo-o de continuar no curso de medicina. Mais tarde, ele recuperou visão suficiente para se formar com honra pela Universidade de Oxford, mas insuficiente para servir ao exército britânico durante a Primeira Guerra Mundial. Em Oxford, teve o primeiro contacto com a literatura, conhecendo Lytton Strachey e Bertrand Russell. Também se tornou amigo de D. H. Lawrence.
Viveu a maior parte dos anos 20 na Itália fascista de Mussolini que inspirou parte dos sistemas autoritários retratados em suas obras.
A obra-prima de Huxley, Admirável Mundo Novo (Brave New World), foi escrita durante quatro meses no ano de 1931. Os temas nela abordados remontam grande parte de suas preocupações ideológicas como a liberdade individual em detrimento ao autoritarismo do Estado.
Huxley casou-se com Maria Nys (10 de setembro de 1899 – 12 fevereiro de 1955), uma belga que ele conheceu em Garsington, Oxfordshire, em 1919. Eles tiveram um filho, Matthew Huxley (19 de abril de 1920 – 10 de fevereiro de 2005), que seguiu a carreira de escritor, antropólogo e epidemiologista. Em 1955, Maria morreu de câncer.
Em 1956, Huxley se casou com Laura Archera (1911–2007), escritora, violinista e psicoterapeuta. Ela escreveu This Timeless Moment, uma biografia de Huxley. Em 1960, Huxley foi diagnosticado com câncer de laringe e, nos anos seguintes, embora sua saúde deteriorasse, ele escreveu o romance A Ilha e lecionou sobre as potencialidades humanas no Centro Médico São Francisco da Universidade da Califórnia e no Instituto Esalen. Nos últimos dias, impossibilitado de falar, Huxley escreveu um pedido à sua mulher para "LSD, 100 µg, intramuscular" (100 microgramas de LSD, aplicação intramuscular). Ela injetou uma dose às 11:45 da manhã e outra algumas horas depois. Ele morreu às 17:21 do dia 22 de novembro de 1963, aos 69 anos. As cinzas de Huxley foram enterradas no jazigo da família, no cemitério de Watts, casa de Watts Mortuary Chapel em Compton, uma vila perto de Guildford, Surrey, Inglaterra.
A cobertura midiática a respeito de sua morte foi ofuscada pelo assassinato de John F. Kennedy, no mesmo dia, assim como a morte do autor irlandês C. S. Lewis. Essa coincidência foi a inspiração para Peter Kreeft no seu livro Between Heaven and Hell: A Dialog Somewhere Beyond Death with John F. Kennedy, C. S. Lewis, & Aldous Huxley.
O único filho de Huxley, Matthew Huxley, é também um autor, professor, antropologo e proeminente epidemiologista. Aldous Huxley sobrevive também na figura de seus dois netos. [Fonte: Wikipedia]