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segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Você - Caroline Kepnes

Título original: You A Novel

Editora Rocco / 2018
384 páginas
Tradução Alexandre Martins
Joe trabalha numa livraria quando conhece Beck e se apaixona.  Nada sabe da garota, mas em épocas de mídias digitais logo descortina toda a atividade intelectual, endereço, amizade. Planeja outros encontros, passando-se como coincidência, e logo começa a vigiá -la, invadir as correspondências e sigilos da sua amada. Claro,  e por ser tão excessivamente amada, protegida dos que se metem em seu caminho de conquista. O primeiro é Benji, uma espécie de namorado da moçoila cobiçada. Mas há outros que devem ser tratados, extinguidos, além da conquista daquela que é destinada,  assim acredita, para ela.
A obsessão de Joe é descrita no livro magistralmente em forma de diálogo com Beck. Um ótimo livro que mostra que a posse, o excesso de zelo, de invasão, posse, é uma ameaça e um alerta. A citação de obras, autores, filmes e músicas por todo o livro é uma viagem à parte. Quem dera ler mais livros e compositores dentro de outros livros! Farei uma lista dos citados para ampliar a viagem
Vale a pena ler Caroline Kepnes. Tornou-se uma das minhas preferidas escritoras.


"Eu conheci e.e. cummings da forma mais sensível e inteligente pela qual homens da minha idade chegam a e.e. cummings, por intermédio de uma das cenas mais românticas de uma das histórias de amor mai românticas de todos os tempo, Hannan e suas irmãs, na qual um nova-iorquino inteligente, sofisticado e casado, chamado Elliot (Michael Cane) se apaixona pela cunhada (Barbara Hershey). Ele precisa ter cuidado. Não pode fazer um avanço descontraído."

"Veja a inveja. Como ela pode não ter peso da ambição? Você sente pena dela. Como ela pode não ter ambição?"

"Não fiz universidade (...), então não desperdiço minha vida adulta tentando resgatar meu tempo de faculdade. Não sou cretino frouxo que nunca teve colhões para viver a vida agora, como ela é. Eu vivo para viver, e pediria outra vodca com soda, mas isso significaria falar com o bartender de camiseta do Bukowski, e ele me perguntaria novamente que tipo de club soda quero."

Caroline Kepnes 
Gêneros Ficção,Suspense e Mistério. Nascimento: 10/11/1976. Local: Estados Unidos - Massachusetts - Hyannis
Caroline Kepnes é autora de contos e romances. Você, seu primeiro romance, foi traduzido em 19 idiomas e dará origem a uma série de TV estrelada por Elizabeth Lail (Once Upon a Time) e Pen Badgley (Gossip Girl). [Fonte: Skoob]

Filha da fortuna - Isabel Allende

Editora Bertrand Brasil
479 páginas
Finalmente fui apresentada à escritora Isabel Allende. Longa espera, desculpável pela longa fila de autores para se conhecer. Escolhi a esmo o primeiro. A Filha da Fortuna foi uma grata surpresa. Não esperava que fosse tão primoroso na construção histórica,  na fieldade aos costumes de cada cultura abordada: oriental e ocidental, China, Chile e EUA.
Eliza Sommers foi um bebê abandonado em 1832 à porta da casa de Rose Sommers, uma inglesa que vivia em Valparaíso, Chile, que, após uma decepção amorosa, decidiu viver aristocraticamente apenas com o irmão Jeremy, porém só. Considerou a criança a filha que não teve e a criou perto disso. Eliza, pequena, que tinha o olfato desenvolvido além de memória prodigiosa, cresceu isolada, porém feliz até os dezessete anos, quando viu pela primeira vez Joaquín Andieta, um empregado do seu tio, apaixonando-se perdidamente, entregando-se de todas as formas ao sentimento arrebatador. O rapaz não seria aceito entre os que rodeavam Eliza, mas não deixou de vivê-lo mesmo assim.
Logo a fama de ouro na Califórnia chegou a Valparaíso e Joaquín decidiu ir embora, fazer fortuna para tirar a mãe e a si próprio da miséria,  abandonando Eliza, que nem se sabia grávida ainda.
Em nome do amor, Eliza decide encontrar o amante de qualquer forma com a ajuda de Tao Chi'en, um chinês que saiu do seu país como marinheiro sequestrado e acabou como um estudioso da medicina oriental. Como encontrar o amante num  país estranho, nas mãos de um oriental que não conhecia, uma jovem entre prostitutas e caçadores de ouro? Eliza apenas era guiada pelo sentimento de amor que levava consigo e a certeza que encontraria Joaquín novamente. 
Um bom livro. Recomendo.

"Eliza apaixonou-se pela liberdade. Tinha vivido entre as quatro paredes da casa dos Sommers, num ambiente imutável, onde o tempo rodava em círculos e a linha do horizonte mal se entrevia através das janelas estreitas, cresceu na armadura impenetrável das boas maneiras e das convenções, treinada desde sempre para agradar e servir, limitada pelo espartilho, pelas rotinas, pelas normas sociais e pelo temor. O medo tinha sido seu companheiro: medo de Deus e da sua imprevisível justiça, da autoridade, dos seus pais adotivos, da doença e da maledicência, do desconhecido e do diferente, de sair da proteção de casa e de enfrentar os perigos da rua, medo da sua própria fragilidade feminina, da desonra e da verdade."

Isabel Allende
Isabel Allende nasceu em 2 de agosto de 1942, em Lima, no Peru, onde o seu pai diplomata se encontrava em trabalho. No entanto, a sua nacionalidade é chilena, tendo-se tornado cidadã norte-americana em 2003. É filha de Tomás Allende, funcionário diplomático e primo-irmão de Salvador Allende, e de Francisca Llona.
Isabel é considerada uma das principais revelações da literatura latino-americana da década de 1980. Sua obra é marcada pela ditadura no Chile, implantada com o golpe militar que em 1973 derrubou o governo do primo de seu pai, o presidente Salvador Allende (1908-1973).
O seu livro editado foi A Casa dos Espíritos (1982) (La casa de los espíritus) que ganhou reconhecimento de público e crítica. A obra resultou num filme A Casa dos Espíritos (1993) realizada por Bille August, com Jeremy Irons, Meryl Streep, Winona Ryder e Antonio Banderas, tendo grande parte das rodagens ter decorrido em Portugal, em Lisboa e no Alentejo.
Em 1995 lançou o livro Paula, que a autora escreveu para a sua filha que estava em coma devido a um ataque de porfiria. Como a autora não sabia se a sua memória voltaria após a saída do coma, Isabel Allende resolveu contar a sua história para auxiliar a filha a lembrar dos fatos. Paula passou a ser então um retrato auto-biográfico. [Fonte: Wikipedia]

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Lugares escuros - Gillian Flynn

Título original: Dark Places
Publicado originalmente em 2013
Tradução Tânia Ganho
Editora Bertrand Brasil
416 páginas

Libby Day sobreviveu ao massacre que matou sua mãe e duas irmãs mais velhas. Ben Day, seu irmão, acusado pelo crime, foi para a cadeia cumprir prisão perpétua. Então com 7 anos, a menina não disse em seu depoimento que não vira o irmão matar, mas que apenas ouvira sons. Mas aí já foi. Irmão preso, culpado. 24 anos depois, a sobrevivente, que carrega sequelas psicológicas e físicas, é contactada por Lyle, um jovem que estuda, junto com um grupo de outros desocupados, solucionar crimes mal resolvidos. Libby, que sobrevivia com os donativos que chegavam via correio, viu sua renda se esvair junto com a idade que avançava. Encontrar-se com Lyle seria uma forma de arranjar alguns trocados, mesmo que isso significasse ter de enfrentar as situações que jogava conscientemente para os lugares escuros, onde não pudesse pensar. Bom.

"Nunca fui uma criança adorável e transformei-me num adulto detestável. Se fizessem um desenho da minha alma, seria um rabisco com presas de animal."

"Não tenho estofo para isso: marcar números, esperar em linha, falar, esperar em linha, depois ser muito simpática para uma mulher qualquer mal-humorada, com três filhos para criar e a resolução anual de retomar os estudos, uma mulher qualquer mortinha para que lhe demos uma desculpa para nos desligar o telefone na cara. É uma cabra, sem dúvida, mas não lhe podemos chamar nomes, senão, de repente, temos de voltar à estaca zero como no jogo das escadas e serpentes. E o castigo é termos de ser ainda mais simpáticos quando ligarmos de novo."

Gillian Flynn

Nasceu em Kansas City, Missouri, filha de dois professores de faculdade comunitária. A mãe ensinou leitura; seu pai, filme. Assim, ela dedicou uma quantidade excessiva de tempo percorrendo livros e assistindo filmes. Ela tem boas lembranças de ter A Wrinkle in Time tirado de suas mãos na mesa do jantar, e também de ver Alien, Psycho e Bonnie e Clyde em uma idade precoce (como, sete). Foi uma boa infância.
No ensino médio, ela trabalhou em empregos que exigiam que ela fizesse coisas como embrulhar e desempacotar presuntos, ou se vestir como um cone de iogurte gigante. Um cone de iogurte que usava um smoking. Por que o smoking? Era uma pergunta que a perseguiria por anos.
Para a faculdade, ela foi para a Universidade de Kansas, onde recebeu seus diplomas de graduação em inglês e jornalismo.
Depois de um período de dois anos escrevendo sobre recursos humanos para uma revista comercial na Califórnia, Flynn mudou-se para Chicago. Lá, ela obteve seu mestrado em jornalismo da Northwestern University e descobriu que ela era muito fraca para tornar-se repórter de crime.
Por outro lado, ela era uma geek do cinema com um diploma de jornalismo - então ela mudou-se para a cidade de Nova York e se juntou à revista Entertainment Weekly, onde escreveu feliz por 10 anos, visitando conjuntos de filmes ao redor do mundo (para a Nova Zelândia para The Lord of The Rings, Praga para The Brothers Grimm, para algum lugar fora da estrada na Flórida para Jackass: The Movie. Durante os últimos quatro anos na EW, Flynn foi crítica de televisão (o melhor programa de TV de todos os tempos: The Wire).
O romance de estreia de Flynn de 2006, o mistério literário Objetos Cortantes, foi um finalista do Edgar Award e o vencedora de dois dos Dagger Awards da Grã-Bretanha - o primeiro livro a ganhar vários Daggers em um ano. Os direitos do filme foram vendidos.
O segundo romance de Flynn, o best-seller de New York Times, Lugares Escuros, era um New Yorker Reviewers 'Favorite, Weekend TODAY Top Summer Read, Publishers Weekly Best Book of 2009 e Chicago Tribune Favorite Fiction. Em 2015, a adaptação do filme estrelado por Charlize Theron foi lançada.
O terceiro romance de Flynn, Gone Girl , foi uma sensação internacional e um sucesso que passou mais de cem semanas nas listas de best - sellers do New York Times . Gone Girl foi nomeada um dos melhores livros do ano pela People Magazine e Janet Maslin no New York Times . Nomeado tanto para o Edgar Award como para o Anthony Award para Best Novel, Flynn escreveu o roteiro da adaptação de David Fincher em 2014 da Gone Girl para a tela grande, estrelado por Ben Affleck e Rosamund Pike.
Seu lançamento mais recente, The Grownup, é uma história curta premiada com Edgar e uma homenagem à clássica história de fantasmas. Esta é a primeira vez que está sendo publicação autônoma.
O trabalho de Flynn foi publicado em quarenta e uma línguas. Ela mora em Chicago com seu marido, Brett Nolan, seus filhos e um gato preto gigante chamado Roy. [Fonte: http://gillian-flynn.com/]

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

A Ilha - Aldous Huxley

Will Farnaby, jornalista inglês, sofre um acidente no mar e chega à "Ilha proibida" Pala, no sudoeste asiático. Lá encontra uma sociedade com bases utópicas, onde a existência poderia ser vivida com plenitude, controle mental, hipnose, relações baseadas em puro amor, relacionamentos onde famílias interagem, a natureza é plena e preservada, a automação e industrialização não são permitidas, sem militarismo, uso de cogumelos alucionógenos para alcançar a iluminação, sexo tântrico, etc. Will, ao chegar na Ilha, náufrago, é acordado por um pássaro que repete constantemente "Atenção! Agora!", que posteriormente, quando é tratado pelos habitantes da ilha para recuperar-se do acidente, descobre que foram ensinados pelos ancestrais para que todos tivessem consciência de viver o momento presente, tratando a dor e a angústia diárias.
Ele, que também tinha a missão de representar um importante empresário do petróleo que pretendia explorar a ilha. Ao conhecer melhor a filosofia e o modo de viver dos habitantes, questiona seus próprios valores, suas culpas, medos, parte para o autoconhecimento.
Em "A Ilha", Huxley recria uma sociedade da época, não uma futurista, como em "Admirável Mundo Novo".

Passagens:
"Se apenas soubesse quem realmente sou,deixaria de proceder como penso que sou. E se parasse de me comportar como penso ser, saberia quem sou."
"Define-se como ‘fé perfeita’ algo que traz uma completa paz de espírito. Mas a paz de espírito integral é coisa que praticamente ninguém possui e, sendo assim, a fé perfeita não existe. Consequentemente, todos nós estamos de antemão condenados à punição eterna. Quod erat demonstrandum."
"O 'eu' que penso ser e o 'eu' que realmente sou! Em outros termos, o sofrimento e o fim do sofrimento. Cerca de um terço do sofrimento que devo suportar é inteiramente inevitável por ser inerente à própria condição humana. Representa o preço que todos temos que pagar pelo fato de sermos dotados de sensibilidade; embora sedentos de liberação, nos sujeitamos às leis naturais que nos obrigam a continuar caminhando(sem poder retroceder) através de um mundo inteiramente indiferente ao nosso bem-estar. Caminhando em direção à decrepitude e à certeza da morte. Os outros dois terços são 'confeccionados em casa' e o universo os considera inteiramente supérfluos."
"Na escola que eu freqüentava não aprendíamos coisas. Só nos ensinavam palavras."
"Os povos são ao mesmo tempo os beneficiários e as vítimas das suas próprias culturas.” "No fundo, todos vocês não passam de platônicos que adoram as palavras e detestam os fatos.”

Aldous Huxley
Aldous Huxley
Aldous Leonard Huxley (Godalming, 26 de Julho de 1894 — Los Angeles, 22 de novembro de 1963). Passou parte da sua vida nos Estados Unidos, e viveu em Los Angeles de 1937 até a sua morte, em 1963. Mais conhecido pelos seus romances, como Admirável Mundo Novo e diversos ensaios, Huxley também editou a revista Oxford Poetry e publicou contos, poesias, literatura de viagem.
Foi um entusiasta do uso responsável do LSD como catalisador dos processos mentais do indivíduo, em busca do ápice da condição humana e de maior desenvolvimento das suas potencialidades.
Estudou medicina na Eton College, e foi obrigado a abandonar aos dezesseis anos, devido a uma doença nos olhos que quase o cegou impedindo-o de continuar no curso de medicina. Mais tarde, ele recuperou visão suficiente para se formar com honra pela Universidade de Oxford, mas insuficiente para servir ao exército britânico durante a Primeira Guerra Mundial. Em Oxford, teve o primeiro contacto com a literatura, conhecendo Lytton Strachey e Bertrand Russell. Também se tornou amigo de D. H. Lawrence. Viveu a maior parte dos anos 20 na Itália fascista de Mussolini que inspirou parte dos sistemas autoritários retratados em suas obras.
A obra-prima de Huxley, Admirável Mundo Novo (Brave New World), foi escrita durante quatro meses no ano de 1931. Os temas nela abordados remontam grande parte de suas preocupações ideológicas como a liberdade individual em detrimento ao autoritarismo do Estado.
Huxley casou-se com Maria Nys (10 de setembro de 1899 – 12 fevereiro de 1955), uma belga que ele conheceu em Garsington, Oxfordshire, em 1919. Eles tiveram um filho, Matthew Huxley (19 de abril de 1920 – 10 de fevereiro de 2005), que seguiu a carreira de escritor, antropólogo e epidemiologista. Em 1955, Maria morreu de câncer.
Em 1956, Huxley se casou com Laura Archera (1911–2007), escritora, violinista e psicoterapeuta. Ela escreveu This Timeless Moment, uma biografia de Huxley. Em 1960, Huxley foi diagnosticado com câncer de laringe e, nos anos seguintes, embora sua saúde deteriorasse, ele escreveu o romance A Ilha e lecionou sobre as potencialidades humanas no Centro Médico São Francisco da Universidade da Califórnia e no Instituto Esalen. Nos últimos dias, impossibilitado de falar, Huxley escreveu um pedido à sua mulher para "LSD, 100 µg, intramuscular" (100 microgramas de LSD, aplicação intramuscular). Ela injetou uma dose às 11:45 da manhã e outra algumas horas depois. Ele morreu às 17:21 do dia 22 de novembro de 1963, aos 69 anos. As cinzas de Huxley foram enterradas no jazigo da família, no cemitério de Watts, casa de Watts Mortuary Chapel em Compton, uma vila perto de Guildford, Surrey, Inglaterra.
A cobertura midiática a respeito de sua morte foi ofuscada pelo assassinato de John F. Kennedy, no mesmo dia, assim como a morte do autor irlandês C. S. Lewis. Essa coincidência foi a inspiração para Peter Kreeft no seu livro Between Heaven and Hell: A Dialog Somewhere Beyond Death with John F. Kennedy, C. S. Lewis, & Aldous Huxley.
O único filho de Huxley, Matthew Huxley, é também um autor, professor, antropologo e proeminente epidemiologista. Aldous Huxley sobrevive também na figura de seus dois netos. [Fonte: Wikipedia]