domingo, 6 de dezembro de 2015

Dias Perfeitos - Raphael Montes

Théo desenvolve uma paixão doentia por Clarice depois de um encontro casual num churrasco. Ele, estudante solitário, frio, com hábitos pouco saudáveis. Mas  é rejeitado pela jovem, então decide sequestrá-la para que possa lhe conquistar o amor. Método bizarro, mas vindo de Raphael Montes, um de meus escritores brasileiros contemporâneos favoritos, não se estranha. O desenrolar da trama é cheio de detalhes psicológicos, como o autor gosta, um final que surpreende.
Daria cinco estrelas. Mas já dei muitas pra Montes, baixar um pouco a bola.

sábado, 14 de novembro de 2015

Resta Um - Isabela Noronha

Não gosto de futebol, mas vou fazer uma analogia com o livro de Isabela Noronha: perdeu o jogo na prorrogação do segundo tempo e com gol contra. Sensação de frustração. O livro iria ganhar três ou quatro pontos na indicação (de cinco), a autora escreve bem, prende, soube fazer três tempos diferentes, detalhes que se percebem em poucas frases, perfeito. Mas o final foi decepcionante. A impressão é que a autora estava com pressa de acabar e decidiu fazer qualquer "meia sola" pra o desfecho.
A estória é uma sacada boa: Lúcia e José tem uma filha de 11 anos, Amélia, que sai uma noite para a festa em casa de uma amiga, poucas casas adiante de onde mora. Só que não volta. Some, como centenas de pessoas diariamente. A angústia de quem fica, de quem deseja uma explicação para o destino da filha é retratado com perfeição pela escritora. Também consegue descrever a mente de uma idosa com problemas mentais ou com sinais senilidade. Escreve bem a autora.
Não gostaria que houvesse um final feliz, ou tudo ficasse esclarecido, nada tão previsível. Esperava um final inesperado que desse aquela surpresa que tudo o que se leu era o oposto. Fator surpresa. Que nada! É como se Lúcia fosse no supermercardo e... fim! Precisaria de um desfecho como foi o de Dona Esmê.
Em homenagem à "desfinalização" do fim do "Resta um"... o_o.

Em protesto, sem trechos. 

sábado, 7 de novembro de 2015

A Mulher Enjaulada Departamento Q - Livro 01 - Jussi Adler-Olsen

O policial Carl Mørck é designado para assumir o "Departamento Q", criado para tentar resolver casos não solucionados na investigação após o crime / ocorrência. Mesmo depois de passar pelo trauma de perder um companheiro de trabalho e o outro ficar com tetraplegia, além dos tiros no próprio corpo. Começa com o analisando o desaparecimento de Merete Lynggaard, ocorrido quando fazia um cruzeiro com o irmão Uffe. Paralelamente a esta designação e início da investigação, a autora narra a realidade de Merete Lynggaard, enclausurada em um quarto, apenas com o básico para sobrevivência, sem contato com qualquer pessoa, apenas ouve alguém que se comunica por um auto falante dando instruções. Essa descrição nos faz ficar com claustrofobia, uma agonia pela clausura. Porém, ao final do livro, me questiono como alguém pode ficar mais de cinco anos nessa situação sem enlouquecer ou morrer. Isso é pura ficção das mais fantasiosas.
O livro prende, tem uma lógica na ligação dos fatos, mas ficamos nos questionando por que tantas estórias paralelas para encher páginas, como a esposa Vigga, o enteado mal humorado, o inquilino, entre outras. 
Duas estrelas pela tensão que a autora criou. mas é um livro razoável.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Proibido - Tabitha Suzuma

Um rapaz tem fobia social, é responsável pelos irmãos mais novos, junto com a irmã Maya. A mãe não tem responsabilidade pelos filhos, nem pela casa, apenas com o namorado e suas bebedeiras. Até aí uma estoriazinha clichê. Aí os irmãos se apaixonam. É, incesto mesmo. Aguentei até a metade do livro, mais ou menos, uma escrita cansativa, com detalhes de diálogos com as  crianças da trama, uma lenga lenga sem tamanho, sem falar no asco que me deu. Abandonei a leitura. Leio de tudo, qualquer atrocidade, mas uma trama besta dessas e muito mal escrita, minha capacidade de leitura não alcança.
Tem menos 5 estrelas? Não, né? Então zero estrelas. Não pelo abandono, pela qualidade do livro. Não esperam passagens, por favor!

domingo, 18 de outubro de 2015

A Arte de Ser Normal - Lisa Williamson

David tem 14 anos e não se sente como menino. Ele não se vê no corpo de um homem, sonha em  sentir seios crescendo, os pés menores, a altura não chegar a de seu pai, as partes íntimas sumirem. Sofre bullying na escola. Chamam-no de "show de aberrações", porque, quando criança e a professora perguntou o que ele queria ser quando crescesse, respondeu: "quero ser menina". Enfrenta a difícil batalha de contar aos pais, enfrentar a escola, a vida.
Leo é um rapaz que vem de um lar desajustado, a mãe não se fixa num namorado, não é presente, as irmãs relegadas. Ele é transferido para a escola de David por motivos, segundo boatos que chegam com ele, por ter decepado uns dedos de um professor. Mas não é essa a real razão dele ter sido expulso do colégio anterior, Cloverdale. Ele desperta medo entre os demais alunos e fascínio em uma aluna, Alicia, já que é um bonito e misterioso rapaz. Mas chama a atenção de David também e acabam se tornando amigos. Leo não faz amizades com facilidade, é isolado, carrega consigo um segredo.
Em ficção temos de aceitar tudo tal qual a autora descreve. Tá. Esse bla, bla, bla eu sei. Mas posso discordar, duvidar, me irritar com coisas que fujam de uma realidade óbvia. Qual a chance de duas pessoas como David e Leo caírem  numa mesma escola, se atraírem e se tornarem grandes amigos? Parece coisa muito irreal.
No mais, percebemos claramente o que é alguém não se enxergar no corpo que possui. Olhar-se no espelho e não se aceitar. Além de não ser aceita pelos outros, mas bem pior não ser por si mesma.
Um livro razoável. Dei uma estrelinha.

Passagem:
"(...) minha mãe está esperando que eu conte que sou gay. Acho que ela está esperando esse momento há anos; desde que pedi minha primeira Barbie no Natal, corri pela casa usando meu primeiro par de asas de fada, enrolei uma toalha na cabeça e fingi que era uma cabeleira comprida. Ela provavelmente tem ensaiado uma resposta há meses, praticando no espelho o equilíbrio adequado entre surpresa e aceitação."

sábado, 17 de outubro de 2015

Diário de uma vida perdida na memória - Rowan Coleman

Todos tememos uma doença, tememos a demência, a invalidez, o esquecimento. Esse livro é sobre a chegada precoce do Alzheimer para a personagem Claire. Herança do pai. Primeiro há pequenos lapsos de memória, depois confusão mental,  desorientação, os nomes dos objetos vão embora, as pessoas são esquecidas. O corpo fica, a memória envelhece, a mente adoece.
Todos os principais personagens do livro, Claire, Caitlin, Ruth e Greg escrevem no diário que guarda as lembranças de quem as perde rapidamente. E os capítulos são divididos pelas vozes de cada um. Não há desespero, apenas aceitação e luta, preocupação com quem em breve será uma presença fantasma entre os demais.
Claire era alegre, inteligente, mãe de Caitlin, filha de Ruth e casada com Greg. Há também a filha de 3 anos, Esther, o alento e o sol para todos. A doença vai tomando conta de sua realidade, mas ela continua raciocinando, pensando, apenas o branco do esquecimento que resta.
Angustia, quando nos colocamos no lugar da personagem principal. Até fiquei pensando se eu mesma não tinha  sinais da doença em mim. Meus brancos, os esquecimentos eram bem parecidos. Hipocondria à parte, nós realmente pensamos como é sutil a linha da sanidade e do alheamento. E isso a autora sabe descrever. Eu, como suicida em potencial, concluo: eu poria fim aos meus dias antes do breu total...
Um bom livro.
Passagens:
"Foi no dia que me esqueci qual sapato pertencia a qual pé, tomei o café da manhã duas vezes e me esqueci do nome da minha filha."
"É melhor ficar com o demônio que já se conhece."
"Quando penso em amor, tenho a impressão de pensar em algo externo a nós. Algo mais do que apenas sexo e romance. Acho que, quando nos formos, o que  restará de nós é o amor."
"Acredito no direito de escolha da mulher, mas nunca me ocorreu que, se eu estivesse nessa situação, escolheria a vida - embora, de fato, quando penso nisso, fica absolutamente óbvio: minha mãe me escolheu."
"Não a verei passar nas provas nem entrar na universidade; não a verei usar beca, tornar-se piloto de guerra ou ninja ou Doctor Who, que é sua maior ambição. Não a assistente - isso ela não quer -, mas o próprio Doctor. Vou perder todas essas coisas. A vida vai se passar por mim e não saberei nada a respeito, isso supondo que até lá meu cérebro não tenha se esquecido de informar aos meus pulmões como respirar e eu ainda esteja viva. A morte talvez seja preferível: se o céu e os espíritos de fato existirem, eu poderia olhar para ela, olhar para todos eles. Eu poderia ser um anjo da guarda, mesmo ainda sabendo que os anjos da guarda são estraga-prazeres. Além disso, não acredito em Deus, o que provavelmente me impediria até de me inscrever para processo seletivo, convencê-lo durante a entrevista: 'O que me diz de oportunidades iguais, Deus?', perguntaria."
"Agora eu me pergunto o que é felicidade. Fico pensando no que as emoções são, de fato, se podem ser alteradas e modificadas por plaquetas no meu cérebro ou pelos pequenos êmbolos."

Rowan Coleman
Rowan Coleman
Autora bestseller do Sunday Times e do New York Times. Além de tentar acompanhar o crescimento dos filhos e as aventuras de uma família alargada, Rowan dedica-se à escrita, sendo autora de mais de uma dezena de romances.
Os seus livros já foram traduzidos em países como Alemanha, França, Itália, Polónia, Rússia, Sérvia ou Turquia. O seu romance The Memory Book foi selecionado para o Richard and Judy Book Club, e Runaway Wife foi o romance vencedor do Best Romantic Read 2012.
[Fonte: Wook]
Mora em Hertfordshire, Inglaterra, com o marido, 5 filhos e 2 cachorros.
Quando ela tem a chance, Rowan gosta de dormir, sentar-se e adora ver filmes; ela também está tentando aprender a cozinhar.
Apesar de ser disléxica, Rowan adora escrever e The Memory Book é seu décimo primeiro romance, que foi escolhido como uma seleção de clubes Richard e Judy em 2014.

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

O harém de Kadafi - Annick Cojean


Soraya torna-se uma das amazonas de Kadafi não por escolha, mas porque foi praticamente sequestrada e presa para satisfazer os desejos mundanos do ditador da Líbia. Ela e várias mulheres usadas e prisioneiras de um lunático  e maníaco personagem real que julgava-se deus. 
Uma história real, até metade do livro a escritora relata a vida de Soraya e toda a trajetória como vítima de Muamar Kadafi. Na segunda metade do livro, a escritora traça o caminho da garota vítima, encontra novos personagens, debate sobre o ditador. 
Um livro que impressiona por sabermos que trata-se de algo que aconteceu de fato, se bem que não  creio na história completa quando quem escreve não viveu de fato do lado de quem relata, nem foi vítima do mesmo destino, nem teve contato com o outro lado. Aconteceu, realmente creio, mas vamos dar um corte em tal perversidade. Assim como o livro é escrito como 50% de ficção sem ser, vamos crer em 50% do qe é exposto. 
Um livro razoável.