Fotógrafo profissional, Cauby vai para uma cidade do Pará que desponta com descoberta de ouro, com o objetivo de fazer um registro fotográfico das prostitutas que são atraídas pelo garimpo. Assim conhece Lavinia, ex-prostituta, casada com o pastor Ernanes. Cai de amores pela morena bonita e desenvolvem um romance. Lavinia tem problemas psiquiátricos, como bipolaridade, surtos depressivos ou seja lá que nome que se dá ao que a doida tinha, mas nem isso nem a profissão impediu, no passado, que o pastor Ernanes, uns de anos mais velho que ela, a elegesse como esposa.
Já se via, desde criança, que Lavinia seria uma moça bonita, e chamou a atenção do padrasto alcoolatra, quando sofreu estupro e foi viver nas ruas de Vitória, se prostituindo e entregue às drogas, ate ser resgatada pelo pastor Ernanes.
Paralelamente, o careca, personagem que tem sequelas de um avc, que é hóspede da pensão onde Cauby também se aloja, relata seu infortúnio amoroso com Marinês, um amor platônico que o consumiu durante praticamente a vida inteira.
Chang, um china também fotógrafo que tem queda por garotos, Viktor, o jornalista frio, o vizinho Decião, o pistoleiro Chagas, o delegado, a dona da pensão, todos personagens que compõem uma colcha de retalhos perfeita do que seria o mundo da explosão da garimpagem , também da vastidão de tipos humanos, personagens bem construidos, bem detalhados.
Culpa, vingança, loucura, amor, abnegação, ganância, tudo é tema no livro.
Recomendo.
Passagens:
"O careca tosse — e fala do fim sem conhecimento de causa. Não tem idéia, mas fala do fim. Todos falam, é fácil. Quero saber quantos tiveram a coragem de ir até lá. De encontro ao fim. Eu tive."
"De acordo com o professor Schianberg, a vida da maioria das pessoas é medíocre, o que não as impede de enxergar tudo numa perspectiva heróica. Suportamos a existência tentando converter o banal em épico."
"Descobri que morrer não é assim tão fácil. Mesmo num lugar onde a vida pesava sempre menos que as pepitas."
"Talvez consiga me livrar da bengala no futuro. Mas é incerto. Estou condenado a coxear. Em definitivo. Antes coxear que coaxar, disse a princesa manca para o sapo."
terça-feira, 19 de abril de 2016
segunda-feira, 18 de abril de 2016
Jardim de mentiras - Eileen Goudge
| Jardim de Mentiras - Eileen Goudge |
Mas não foi só aío que o destino ajudou: Rose, que amava Brian, que foi pro Vietnã lutar, perde o grande amor para justamente quem não deveria: Rachel. E Rachel, médica, comete um erro e vai ser defendida por quem? Concidências demais, porém em ficção tudo é permirtido.
Um livro razoável.
Tríptico - Karin Slaughter
Uma série de crimes acontecem em Atlanta, meninas e mulheres são mortas, estupradas ou mutiladas. Começando por Mary Alice, uma garota de 15 anos que tem John Sheley como amigo na infância, mas que, na adolescência, a relação muda e John passa a persegui-la. Não apenas a amizade dos dois que muda, o próprio John também. As drogas são apresentadas ao adolescente pelo primo Woody, operando uma transformação no jovem tímido e retraído. Com o assassinato de Mary Alice, John vai para a prisão por 20 anos, saindo em condicional.
Com o assassinato de Aleesha Monroe, prostituta negra, seguindo o padrão do assassinato de Mary Alice e outros casos, Michael Ormewood, policial arrogante, casado com a enfermeira Gina e que tem um filho excepcional, começa a investigar o caso e tem o auxílio de Will Trent, agente especial da GBI. Além dele, Angie Polaski, policial que trabalha disfarçada em prostituta.
Um livro policial que prende a leitura, dinâmico. Porém, o que apreciei foi a capacidade da escritora em captar o senso dos pensamentos de gênero, seja num sentido sexual ou social. Apesar de, na virada do livro I para o II, a alteração radical de personalidade de um dos personagens nos querer voltar ao início para rever a construção dele, relendo algumas passagens de comportamento. Mas isso faz parte do suspense do livro.
Há uma continuidade (essa moda de trilogia, quadrilogia!) a Tríptico. Pretendo lê-lo em breve.
A referência ao título do livro, Tríptico, dá-se na casa de Angie,a policial, observado por Trent, um quadro de três telas que, separados, tem uma imagem e, juntos, outra. Assim como os personagens do livro.
Recomendo.
Autora:
Karin Slaughter nasceu em 1971, Atlanta, Geórgia, EUA, onde vive atualmente. Seu romance de estréia é "Cega"
Com o assassinato de Aleesha Monroe, prostituta negra, seguindo o padrão do assassinato de Mary Alice e outros casos, Michael Ormewood, policial arrogante, casado com a enfermeira Gina e que tem um filho excepcional, começa a investigar o caso e tem o auxílio de Will Trent, agente especial da GBI. Além dele, Angie Polaski, policial que trabalha disfarçada em prostituta.
Um livro policial que prende a leitura, dinâmico. Porém, o que apreciei foi a capacidade da escritora em captar o senso dos pensamentos de gênero, seja num sentido sexual ou social. Apesar de, na virada do livro I para o II, a alteração radical de personalidade de um dos personagens nos querer voltar ao início para rever a construção dele, relendo algumas passagens de comportamento. Mas isso faz parte do suspense do livro.
Há uma continuidade (essa moda de trilogia, quadrilogia!) a Tríptico. Pretendo lê-lo em breve.
A referência ao título do livro, Tríptico, dá-se na casa de Angie,a policial, observado por Trent, um quadro de três telas que, separados, tem uma imagem e, juntos, outra. Assim como os personagens do livro.
Recomendo.
Autora:
Karin Slaughter nasceu em 1971, Atlanta, Geórgia, EUA, onde vive atualmente. Seu romance de estréia é "Cega"
sábado, 2 de abril de 2016
O conde de Monte Cristo - Alexandre Dumas
França, a monarquia e os simpatizantes de Napoleão lutam pelo poder e, com o rei no trono, os bonapartistas são perseguidos e condenados a prisão ou até a morte. Nesse contexto, tem-se Edmond Dantés, marinheiro ingênuo, jovem, prestes a comandar um importante navio que faz parte da frota de Morrel, grande comerciante. Apaixonado pela catalã Mercedes, quando desembarca só tem dois pensamentos: ver o pai idoso e casar com a amada. Mas ele não contava com a inveja de Danglars e Caderousse, o ciúmes de Fernand, a ambição do Villefort, os que tramaram um fictício envolvimento dele em uma conspiração bonapartista. E foi preso injustamente, ficando encarcerado 14 anos sem ninguém conseguir localiza-lo, mesmo com a queda do rei e a vitória do imperador. Mas Dantés consegue escapar e encontra a maioria dos qrico, instruído, torna-se o Conde de Monte Cristo, nome em homenagem à
ilha onde encontrou um tesouro apontado por um padre companheiro de
prisão, com outros objetivos bem maiores que aqueles de quando desembarcou no navio anos atrás: vingança.
Clássico da literatura universal. Magnífico exemplar. Parece uma novela, que prende a cada capítulo.
"Ele só tinha o seu passado, tão curto; o seu presente, tão sombrio, e o seu futuro, tão duvidoso: dezenove anos de luz a meditar talvez numa noite eterna! Nenhuma distração podia portanto ajuda-lo. O seu espírito enérgico, ao qual nada seduziria mais do que voar através dos tempos, era obrigado a permanecer prisioneiro como uma águia numa gaiola. Aterrava-se então com a idéia, à dasua felicidade destruída sem motivo aparente e devido a uma fatalidade inaudita."
terça-feira, 15 de março de 2016
No escuro - Elizabeth Haynes
Dois momentos da vida de Catherine são intercalados: momento presente e quatro anos antes. No decorrer da leitura, o pensamento de pular os capítulos de 2007 e 2008 e correr a história do passado completa e depois ir pro atual torna-se quase irresistível. Não pela ansiedade, mas pela chatice dos capítulos curtos, pelo pula-pula de tempos, um recurso para segurar o suspense, porém nos deixam com impaciência e quebra muito o ritmo da leitura.
Então fica a dica: se quiser ler o livro como Cortázar em "O jogo de amarelinha", quando os capítulos são pulados, sintam-se aconselhados a seguir esse instinto.
A trama é interessante, um suspense bom, que prende, como "Restos Humanos", também dela. Está na fila de leituras "A vingança da maré". Está ali, só esperando.
A trama é a seguinte: Catherine é uma solteira convicta de 28 anos, sai muito à noite, namora(e transa) bastante, curte a vida com os amigos, até conhecer Lee, um charmoso, bonito, carismático, elegante, interessante e misterioso espécime da raça masculina. Testosterona pura. E entrega-se demais, espera demais, confia demais e, quando percebe, está com ele em sua casa, morando juntos, pretendendo casar, mas logo ela começa a perceber que o real Lee não era o doce e maravilhoso que tentava demonstrar. Por trás, um homem violento, egoísta, que mente, disfarça, invade, a vigia, prende. Leva uns sopapos e quase morre, salvando-se milagrosamente. Aí vem (vem não, se desenvolve em paralelo), quatro anos depois, Lee já na cadeia, a estória paralela com ela refazendo a vida em Londres, com transtornos emocionais traumáticos, conhece o psicólogo Stuart, vizinho do apartamento de cima, que a faz querer mudar e melhorar, mas ela já não é a Cathy de antes, é outra mulher, com sofrimento da alma impregnado em seus dias e sua rotina.
Os relatos do TOC são bem detalhados, impressiona, sentimos a angústia da ansiedade de quem sofre o transtorno.
Vale a pena o suspense, uma boa leitura.
"Então assumi o controle, passei a monitorar cada minuto do meu dia,
cronometrando as coisas obsessivamente, contando meus passos, planejando
horários para tomar chá; aquilo me deu um propósito, me deu um motivo
para colocar um pé à frente do outro a cada dia, por mais podre, sombria
e solitária que eu me sentisse."
"Sempre achei que mulheres que continuavam levando adiante um
relacionamento violento e abusivo só podiam ser umas idiotas. Afinal, em
algum momento elas deveriam ter percebido que as coisas tinham saído
errado e que, de repente, haviam passado a sentir medo do parceiro — e,
sem dúvida, era este o momento de terminar a relação. Deixá-lo sem
pensar duas vezes, foi o que sempre pensei. Que motivo elas teriam para
continuar? E eu já vira mulheres na televisão ou em revistas dizendo
coisas como “Não é tão simples assim”, e eu sempre pensava, claro que é,
é simples, sim — apenas vá embora, afaste-se dele."
sábado, 12 de março de 2016
A máquina de fazer espanhóis - Valter Hugo Mãe
Antônio Jorge da Silva, senhor silva, é um octogenário, viúvo depois de quase 50 anos de casamento com Laura, tem dois filhos. Quatro meses depois do título de viuvez, a filha Elisa o transfere para um asilo, o Lar da Feliz Idade, onde conhece outra vida, nova, mas não recebida com prazer. Além da saudade da esposa, conviver com outras pessoas, ele, que nunca foi afeito a amizades, apenas a esposa e os filhos formavam seu universo de barbeiro em Lisboa, vivido na juventude em plena época de Salazar.
O envelhecer mostrado pelas vestes de quem não se enxerga com 84 anos, em plena capacidade de raciocínio (quer dizer, na maioria das vezes), a percepção de ser internado numa instituição de idosos, aproximar-se de doenças, a esperar pela morte.
Nos primeiros 10% do livro, quando Laura, a esposa do senhor silva, morre, já percebemos que o livro nos arrebata, desperta sentimentos fortes de ruptura, solidão, depois a outra realidade de nova morada, duas mudanças radicais.
Além de senhor silva, há esteves, um fictício personagem de um poema de Fernando Pessoa, pereira, dona marta, silva da europa, américo, o espanhol que gostaria de ser português, figuras do asilo que compõe um quadro de decadência, de amizade, de descobertas. Letras minúsculas nos nomes próprios, característica do autor.
Cada um dos personagens tem sua caricatura perfeita, construído com primor. Como o médico da instituição: "(...) fiquei sentado com o doutor bernardo, posto diante de mim como um anjinho lavado acenando-me com nuvens de algodão doce e pássaros", ou os olhos reluzentes de Anísio e sua namorada
Um livro maravilhoso. Emocionante.
"Com a morte, também o amor devia acabar, acto contínuo, o nosso coração devia esvaziar-se de qualquer sentimento que até ali nutrira pela pessoa que deixou de existir, pensamos, existe ainda, está dentro de nós, ilusão que criamos para que se torne todavia mais humilhante a perda e para que nos abata de uma vez por todas com piedade, e não é compreensível que assim aconteça, com a morte, tudo o que respeita a quem morreu devia ser erradicado, para que aos vivos o fardo não se torne desumano, esse é o limite, a desumanidade de se perder quem não se pode perder"
O envelhecer mostrado pelas vestes de quem não se enxerga com 84 anos, em plena capacidade de raciocínio (quer dizer, na maioria das vezes), a percepção de ser internado numa instituição de idosos, aproximar-se de doenças, a esperar pela morte.
Nos primeiros 10% do livro, quando Laura, a esposa do senhor silva, morre, já percebemos que o livro nos arrebata, desperta sentimentos fortes de ruptura, solidão, depois a outra realidade de nova morada, duas mudanças radicais.
Além de senhor silva, há esteves, um fictício personagem de um poema de Fernando Pessoa, pereira, dona marta, silva da europa, américo, o espanhol que gostaria de ser português, figuras do asilo que compõe um quadro de decadência, de amizade, de descobertas. Letras minúsculas nos nomes próprios, característica do autor.
Cada um dos personagens tem sua caricatura perfeita, construído com primor. Como o médico da instituição: "(...) fiquei sentado com o doutor bernardo, posto diante de mim como um anjinho lavado acenando-me com nuvens de algodão doce e pássaros", ou os olhos reluzentes de Anísio e sua namorada
Um livro maravilhoso. Emocionante.
"Com a morte, também o amor devia acabar, acto contínuo, o nosso coração devia esvaziar-se de qualquer sentimento que até ali nutrira pela pessoa que deixou de existir, pensamos, existe ainda, está dentro de nós, ilusão que criamos para que se torne todavia mais humilhante a perda e para que nos abata de uma vez por todas com piedade, e não é compreensível que assim aconteça, com a morte, tudo o que respeita a quem morreu devia ser erradicado, para que aos vivos o fardo não se torne desumano, esse é o limite, a desumanidade de se perder quem não se pode perder"
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016
Uma Curva no Tempo - Dani Atkins
Rachel sofre um acidente e nele morre um amigo. Ela carrega consigo a culpa e os sinais da tragédia. Tudo ocorreu quando, numa lanchonete em que estiveram todos juntos, um carro invadiu criando o que seria o marco em sua vida.
Após cinco anos ela está sozinha em Londres e é convidada para uma festa em comemoração a uma amiga na cidade em que morava e onde sofreu o acidente. Ela passa por uma tentativa de assalto e acorda num hospital, com uma nova realidade, nova vida. Rachel não se reconhece. Ela é o que sabe ser ou o que vive no momento, bem diferente de sua vida real?
Um livro surpreendente. Bom.
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