Duas meninas se gostam desde pequenas. Amor romântico, apaixonadas. Seria administrável, caso não fosse duas iranianas. Sarah e Nasrin. Chega uma idade que os pais de Nasrin resolvem casa-la. Não há hipótese para as duas se separarem, mas o casamento com um próspero médico não pode ser desfeito. A saída que Sarah encontra é fazer a mudança de sexo. No Irã, a homossexualidade é um erro, então pode ser aceito caso se mude cirúrgica e juridicamente de sexo. Isso até a data de casamento de Nasrin. Porém Sarah não se enxerga como homem, apenas sente atração por meninas e mais ainda pela amiga de infância Nasrin. Se não há saída... que se há de fazer?
sábado, 9 de julho de 2016
A Amante do Oficial - Pam Jenoff
Título original: The kommandant's girl
336 páginas
2016
Editora HarperCollinsBrasil
Emma Bau é judia, recém casada com o também judeu Jacob quando a Polônia é invadida pelos alemães. Jacob foge para juntar-se à resistência anti-nazista e Emma se vê obrigada a seguir os pais, indo para o gueto na Cracóvia. Repentinamente tem a oportunidade de juntar-se aos resistentes, assim sai do gueto, indo morar com Krysia, uma suposta tia, como Ana Lopowski, irmã de um menino Lucasz, filho de rabino assassinado no gueto. E passa a trabalhar disfarçada para um alto oficial alemão, Georg Richwalder. Logo se desenvolve uma atração forte entre os dois, fato que é útil à resistência, nascendo um caso extraconjugal e de proporções aumentadas por se tratar de um nazista de alta patente.
A Mulher Silenciosa - A.S.A. Harrison
A.S.A Harrison ou Susan Harison, escritora canadense, autora de vários livros de não ficção, A Mulher Silenciosa sendo sua estreia como ficcionista, morreu em 2013 antes de sua publicação.
O romance
A mulher silenciosa - A.S.A. Harison (original: The silent wife)
Publicado em 2013, Brasil 2014
Editora intrínseca256 páginas
De silenciosa Jodi não tem nada. Dentro dela, o barulho é imenso. Filha do meio de três, decidiu ser psicoterapeuta e casar-se com Todd, um empreiteiro de meia idade com vontade de crescer e uma vontade ainda maior de ter amantes e trair a esposa. Jodi sabia, aceitava. Era da natureza do homem, ou a vida era satisfeita demais para mudar a rotina, ou ela mesma se sentia confortável com a situação, deixava o marido dar seus passeios fora do próprio território. Eles se sentiam livres, ele tinha seus amigos, seus dias de bebida, a esposa entendia. Ela tinha seus clientes, sua rotina caseira, o cachorro Freud, estava feliz. 20 anos de casamento. Até que ressurgiu Natasha, uma ninfeta que conheceu ainda criança, filha de uma amigo do marido, viúvo. Natasha tem idade para ser filha de Todd, ele a viu crescer, já que é amigo do pai desde a infância. Mas as partes baixas masculinas não tem noção de diferenças de idade. E se apaixonou pela menininha estudante universitária. E quis casar, e engravidou, e f* tudo! Todd não queria deixar Jodi, mas Natasha queria um casamento de verdade, Igreja, damas de honra e bolo dez andares. Tudo pago pelo futuro marido, já que o pai não acata o romance dos dois. E Josi se f*. Ela não casou no papel, tem de deixar o apartamento. Que saída? A não ser....
Melhor ler para saber a solução.
Gostei. Uma leitura leve no meio dos suspenses e policiais.
A confissão - Flávio Carneiro
Flávio carneiro nasceu em Goiânia em 1962, atualmente mora em Teresópolis, é professor de literatura da Universidade Estadual do Rio de Janeiro. Além de escritor, é roteirista e crítico literário.O romance:
Editora Rocco Ltda, 2006, 236 páginas.
Num sequestro, o autor do crime decide esclarecer à vítima qual a razão do ato, que nada tem a ver com resgates, dinheiro. E para se fazer entender, tem de contar a própria estória. Conta como sobrevive de furtos de livros e sua venda, pequenos bicos em bares, fala de sua fome, mas que tem o gosto por aprender, principalmente sobre comida e vinho, mas talvez a palavra certa seja apreender, porque ele descobre que pode retirar das vítimas todo o conhecimento que elas possuem. Vampirismo. Que decepção, não gosto de livros sobre o tema, mas já foi revelado o fato quando estava envolvida na confissão do sequestrador, fui em frente. Um monólogo, mais parece um cenário teatro contado na voz e um narrador.
Um romance que teria levado 4 estrelas facinho não fosse pela vampiragem.
terça-feira, 10 de maio de 2016
O homem duplicado - Jose Saramago
Tertuliano Máximo Afonso, professor secundarista de História, assiste a um filme chamado "Quem Porfia Mata Caça" por sugestão de um colega professor de Matemática para lhe distrair e sair da depressão-tédio-vazio momentâneo. Porém, na fita, encontra a si mesmo num ator de papel coadjuvante atendente de um hotel. Tal qual olhar-se num espelho, ao tempo do filme, alguns anos atrás. O professor fica abalado, resolve investigar quem seria sua cópia, enquanto está às voltas com o relacionamento morno com a bancária Maria da Paz. Descobre que o ator que tem nome artístico Daniel Santa-Clara, de batismo Antônio Claro, casado com Helena. Encontram-se e Tertuliano desperta a curiosidade na sua cópia, ou ele seria a cópia do tal igual. Até que esse dito tal tem desperto a sua vaidade e cobiça e quer se passar por Tertuliano para uma noite de amor com Maria da Paz.
Para quem conhece Saramago, acostumado com seus livros sem pontuação, sem delimitação de diálogos, um ótimo livro, mesmo não sendo o melhor escrito por ele.
Foi transformado em filme em 2014. A película deixa passar muitos detalhes importantes e cria novos fatos (como sempre em filmes baseados em livros), fugindo da fidelidade ao autor. Nele, ao final, Tertuliano, que nem o nome foi preservado, em residência do Antonio Claro, ao abrir uma porta para procurar Helena, vê uma aranha gigante, uma analogia à passagem inicial, quando o ator está em uma sala e segue um ritual onde mulheres são expostas a aranhas, observadas por vários homens, tal seitas secretas. Também poderia ser um bordel, as prostitutas expondo seus corpos aos homens. Nessa cena, uma das mulheres deixa escapar uma aranha da caixa que carrega e a esmaga e Antonio Claro assiste com a mão no rosto. No meu pouco entendimento, as aranhas seriam representações de mulheres e teias de aranha podem ser observadas no decorrer do filme. Há também a interpretação que o professor seria o alter ego no ator e representaria a liberdade, já que a esposa de Antonio tenta superar o ciúme - fato quase inexistente no livro, mas com ênfase no filme, sem falar na gravidez de Helena, que não há no exemplar.
Tentar explicar o livro com o filme ou vice versa é sem sentido. Cada um tem sua interpretação própria, eu não vi um no outro, a não ser o fato de um homem encontrar-se duplicado numa outra pessoa.
O livro vale a pena, o filme nem tanto.
domingo, 1 de maio de 2016
Teoria geral do esquecimento - José Eduardo Agualusa
Ludo é portuguesa, mudou-se para Angola, porque acompanhou a irmã, quando esta se casou com um engenheiro africano. Porém, inicia-se a guerra da independência no país e o casal decide que voltarão a Lisboa e vão a uma despedida. Ludo decide não ir, já que desde cedo, avessa a sair, expor-se ao sol, aos olhares alheios. E o casal não retorna ao apartamento para a saída do país. E ela fecha a única entrada com tijolos, isolando-se do mundo, ela e o cachorro, temendo a invasão de bandidos que procuravam umas pérolas deixadas pelo cunhado.
E assim passa-se 30 anos, Ludo vivendo de um pequeno pomar, de pássaros que conseguia capturar, usando móveis e assoalho como combustível.
Recomendo. muito bom.
E assim passa-se 30 anos, Ludo vivendo de um pequeno pomar, de pássaros que conseguia capturar, usando móveis e assoalho como combustível.
Recomendo. muito bom.
Enquanto agonizo - William Faulkner
Título original: As I lay dyingTradução: Hélio Pólvora
Baseada na segunda edição americana, 1930
Expansão Editorial
Romance ambientado em Yaknapatawpha, condado imaginário situado no estado do Mississipi, EUA, anos 20.
Addie Bundren está morrendo, deitada em sua cama, enquanto acompanha pela janela do quarto o filho mais velho Cash, fabricar seu caixão. Seu último desejo é que seja enterrada em sua terra Jefferson, conforme verbalizou para o marido. Após sua morte, o marido, Anse, junto com os cinco filhos, pegam a estrada com uma parelha de burros para a peregrinação com o caixão e a morta dentro dele. Personagens embrutecidos, feito raízes de árvores centenárias que se vê apenas os nós na terra, sem emoções, secos, áridos, sem comunicação, onde apenas o olhar já diz sentimentos, reações, estado. O marido, personagem sem coragem para o trabalho ou enfrentar a vida, cumpre a palavra dada à esposa, mesmo que ela não tenha sido a fidelíssima e amantíssima companheira que esperava (se fosse consciente do fato, talvez não se desse ao trabalho, quem sabe). Mas sería um último sacrifício, antes de sua liberdade final? Cash, o filho mais velho, carpinteiro, mais responsável, Darl, um jovem sem coerência de pensamentos, perturbado, Jewel, o filho revoltado, bruto, Dewell Dell, a garota que leva consigo um grande segredo e o garoto Vardaman, um menino que imagina a mãe como um peixe, acompanha o mundo com a imaginação infantil sem lapidação.
O livro é dividido em pequenos capítulos (creio que 59), contados em primeira pessoa, cada um com seu ponto de vista do momento da trama. 15 primeiras pessoas, inclusive um capítulo com a morta. Entre eles, o médico, vizinho, entre outros personagens que surgem no andar da estória, inclusive um capítulo com cinco palavras: "minha mãe é um peixe", em Vardaman.
Um livro magnífico, daqueles que, ao fechar da última página, fica em silêncio, olhando o vazio, ainda com os sentimentos adormecidos, doídos pela forma de escrita, arrebatada pelo vazio e pela vida que retrata tão cruamente o autor.
"Para fazer a gente, são necessárias duas pessoas; para morrer, basta uma. Assim o mundo marcha para o fim"
"Lembro-me que, quando jovem, eu julgava a morte um fenômeno do corpo; agora sei que não passa de função do espírito - também do espírito dos que sofrem a perda. Os niilistas dizem que a morte é o fim; os fundamentalistas, que é o princípio; quando, na realidade, não é mais que um inquilino ou uma família que sai de uma casa alugada ou de uma cidade"
"Deus haver criado as mulheres está em que o homem não conhece seu próprio bem quando este bem aparece."
"Em quarto estranho é preciso criar em nós mesmos o vazio, para poder dormir. E antes de se ficar vazio para o sono, o que é que somos, afinal? E quando ficamos vazios para o sono, já não somos nada. E quando estamos cheios de sono nunca somos nada. Não sei o que sou. Não sei se sou ou não sou. Jewel sabe que ele é, porque não sabe que ele não sabe se é ou não é. Não pode esvaziar-se para dormir porque
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