Título original: As I lay dyingTradução: Hélio Pólvora
Baseada na segunda edição americana, 1930
Expansão Editorial
Romance ambientado em Yaknapatawpha, condado imaginário situado no estado do Mississipi, EUA, anos 20.
Addie Bundren está morrendo, deitada em sua cama, enquanto acompanha pela janela do quarto o filho mais velho Cash, fabricar seu caixão. Seu último desejo é que seja enterrada em sua terra Jefferson, conforme verbalizou para o marido. Após sua morte, o marido, Anse, junto com os cinco filhos, pegam a estrada com uma parelha de burros para a peregrinação com o caixão e a morta dentro dele. Personagens embrutecidos, feito raízes de árvores centenárias que se vê apenas os nós na terra, sem emoções, secos, áridos, sem comunicação, onde apenas o olhar já diz sentimentos, reações, estado. O marido, personagem sem coragem para o trabalho ou enfrentar a vida, cumpre a palavra dada à esposa, mesmo que ela não tenha sido a fidelíssima e amantíssima companheira que esperava (se fosse consciente do fato, talvez não se desse ao trabalho, quem sabe). Mas sería um último sacrifício, antes de sua liberdade final? Cash, o filho mais velho, carpinteiro, mais responsável, Darl, um jovem sem coerência de pensamentos, perturbado, Jewel, o filho revoltado, bruto, Dewell Dell, a garota que leva consigo um grande segredo e o garoto Vardaman, um menino que imagina a mãe como um peixe, acompanha o mundo com a imaginação infantil sem lapidação.
O livro é dividido em pequenos capítulos (creio que 59), contados em primeira pessoa, cada um com seu ponto de vista do momento da trama. 15 primeiras pessoas, inclusive um capítulo com a morta. Entre eles, o médico, vizinho, entre outros personagens que surgem no andar da estória, inclusive um capítulo com cinco palavras: "minha mãe é um peixe", em Vardaman.
Um livro magnífico, daqueles que, ao fechar da última página, fica em silêncio, olhando o vazio, ainda com os sentimentos adormecidos, doídos pela forma de escrita, arrebatada pelo vazio e pela vida que retrata tão cruamente o autor.
"Para fazer a gente, são necessárias duas pessoas; para morrer, basta uma. Assim o mundo marcha para o fim"
"Lembro-me que, quando jovem, eu julgava a morte um fenômeno do corpo; agora sei que não passa de função do espírito - também do espírito dos que sofrem a perda. Os niilistas dizem que a morte é o fim; os fundamentalistas, que é o princípio; quando, na realidade, não é mais que um inquilino ou uma família que sai de uma casa alugada ou de uma cidade"
"Deus haver criado as mulheres está em que o homem não conhece seu próprio bem quando este bem aparece."
"Em quarto estranho é preciso criar em nós mesmos o vazio, para poder dormir. E antes de se ficar vazio para o sono, o que é que somos, afinal? E quando ficamos vazios para o sono, já não somos nada. E quando estamos cheios de sono nunca somos nada. Não sei o que sou. Não sei se sou ou não sou. Jewel sabe que ele é, porque não sabe que ele não sabe se é ou não é. Não pode esvaziar-se para dormir porque