domingo, 15 de abril de 2018

A farsa - C. L. Taylor

Título original : The Lie
Editora Bertrand Brasil
Ficção inglesa
Tradução Daniel Estill
393 páginas
Quatro amigas: Emma, Al, Leanne e Daisy. Uma carente, insegura, outra homossexual assumida marrenta, também uma desconfiada anoréxica e, por último, a mais bonita e próxima da primeira, que transa com todos. Decidem entrar de férias numa viagem ao Nepal para curar a dor de cotovelo de Al pelo fim de seu namoro com Simone. Vão para um recanto de meditação liderado pelo bonitão Isaac. Porém,  a situação do que era esperado de um retiro espiritual não se parecia com a vendida no site. Coisas estranhas aconteciam.
E a estória vai do presente para o passado, cinco anos antes, nessa dita viagem de férias, quando duas das quatro amigas morreram e sobraram Emma e Al. Emma, que no presente, chama-se Jane, numa mudança proposital de nome para se esconder.
Um livro cansativo, mal escrito, personagem principal, Emma, que não estimula, não emociona e não prende. 

C. L. Taylor


C. L. Taylor
Autora bestseller de thrillers psicológicos. Os seus livros venderam mais de um milhão de exemplares, tendo já sido traduzidos em mais de 20 países.
Nasceu em Worcester, no Reino Unido, e formou-se em Psicologia pela Universidade de Northumbria. [Fonte: Skoob]

A mulher na janela - A. J. Finn

Título original: The Woman in the Window
Tradução Marcelo Mendes
Editora Arqueiro / 2018
352 páginas
Anna Fox é uma psicóloga ou psicanalista com marido, Ed, e filha pequena, Olivia. Em um acidente, ambos morrem e Anna fica com trauma, desenvolve agorafobia. A vida dos vizinhos passa a ser seu passatempo, bem como a bebida e os remédios, conhecendo a rotina, nomes, personagens. Também dos novos habitantes da casa do outro lado da praça, um casal e seu filho adolescente.  Num dos momentos voyeur, percebe um assassinato na casa dos novos vizinhos, a mulher sendo esfaqueada. Porém,  como se fazer acreditar, tendo sua situação mental comprometida? Como ajudar se há dez meses não sai de sua casa?
Ótimo livro. Recomendo.
Passagens:
"Prisioneiro do Passado, com Humphrey Bogart e Lauren Bacall (um caso de amor em São Francisco, com direito a muita neblina, o primeiro em que um personagem se submete a uma cirurgia plástica para se disfarçar). Torrentes de paixão, com Marilyn Monroe; Charada, com Audrey Hepburn; Princípios d'alma, com as sobrancelhas de Joan Crawford. Um clarão nas trevas: Hepburn de novo, uma mulher cega, ilhada no seu apartamento no subsolo. Eu ficaria maluca num apartamento subsolo."

"- Você pode ouvir as confidências de uma pessoa, os medos dela, as carências, mas não esqueça de uma coisa: tudo existe em meio aos medos e segredos de outras pessoas, as que dividem o mesmo teto com ela. Conhece aquela frase que diz que todas as famílias felizes são iguais?
 - Guerra e Paz - falei.
- Anna Kariênina. Mas não importa. O que importa é que está errado. Nenhuma família, feliz ou infeliz, é igual a outra. Aliás, Tolstoi falou muita bobagem. Lembre-se disso.
E é disso que me lembro enquanto vou ajustando o foco da minha lente, buscando o melhor enquadramento. Um retrato de família.]Mas acabo deixando a câmera de lado."

"Como dizia Bernard Shaw: "Frequentemente cito a mim mesmo; isso torna a conversa mais interessante." Dele também: "O álcool é  um anestésico que nos permite enfrentar a cirurgia da vida." O velho e sábio Shaw.
Assim sendo, Fielsing que me desculpe. Esses remédios não são antibióticos. Além disso, faz quase um ano que misturo todos eles com álcool, e olha só como estou."


 A. J. Finn
A.J.Finn / Dan Mallory

Formado em Oxford, A. J. Finn já foi crítico literário e escreveu para diversas publicações, incluindo Los Angeles Times, The Wasington Post e The TGimes Literary Supplement. A mulher na janela, seu primeiro romance, foi vendido para 36 países e está sendo adaptado para o cinema numa grande produção 20th Century Fox. Natural de Nova York, Finn viveu dez anos na Inglaterra antes de voltar para sua cidade natal, onde mora atualmente. [Fonte: orelha do livro]

Dan Mallory, mais conhecido por A. J. Finn, lutou por 15 anos contra uma depressão até que um novo médico, suspeitando do diagnóstico anterior, propôs outro tratamento. Editor de livros na William Morrow, ele tirou uma licença de seis semanas para experimentar a medicação. Ao final da quarta semana, ele já se sentia outra pessoa e ainda restavam alguns dias até voltar ao trabalho.
Fez o que mais gosta de fazer: releu os livros policiais que o acompanharam em seus 38 anos e reviu filmes antigos. E foi numa dessas noites na frente da televisão que ele teve a ideia da história que, pouco mais de um ano depois, viraria sua vida de cabeça para baixo. No melhor dos sentidos.
Mallory reconhece que ter sido editor de livros por 10 anos – em Londres e em Nova York – o ajudou na tarefa de escrever seu thriller, que ele descreve como uma história de solidão e luto. Capítulos curtos, história que prende a atenção e flui, um título que remete a outros best-sellers. Mas o que fez diferença, mesmo, ele diz, foi ter passado a infância e a juventude com a cara atrás de um livro. “A leitura é a melhor forma de aprendizagem e o que me ajudou a escrever essa história foi ter vivido como um leitor”, conta o autor. 
Sua vontade de escrever, no entanto, só foi despertada depois de ter lido Garota Exemplar, de Gillian Flynn. “Eu não era desses editores que tinham ambição com relação aos seus próprios escritos. E embora eu tenha crescido lendo Agatha Christie e Sherlock Holmes, tenha estudado Patricia Highsmith em Oxford e editado grandes autores, eu não tinha uma história para contar”, diz. 
Quando Garota Exemplar saiu, em 2012, e se tornou um enorme sucesso ao redor do mundo, ele pensou: “Esse é o tipo de livro que eu gostaria de escrever, mas não tenho uma história e não vou forçar”. Passaram-se três anos e meio, saiu A Garota no Trem, de Paula Hawkins, que também foi um grande best-seller, e lamentou de novo por não ter uma história. Quase um ano depois, a vizinha acende a luz e uma personagem “gruda no cérebro” do editor: ela estava sofrendo por um luto e trauma. De repente, ele tinha algo a dizer.
“A experiência da escrita foi muito catártica e foi um privilégio poder explorar, de forma segura, o que eu estava vivendo”, conta. Para o autor, escrever ficção é ato de empatia. E ler também. “Quando lemos, experimentamos a vida de outras pessoas e acontece o mesmo quando escrevemos. Pude mergulhar na mente dessa mulher, chorar e afundar ao lado dela, entrar em pânico com ela. Portanto, escrever não foi divertido ou fácil, mas revigorante.”
Anna Fox, sua protagonista, tem 38 anos. “Estou cansado de ler thrillers onde o personagem central, uma mulher, é muito passivo e reativo. Elas praticamente dependem do homem para seu bem-estar. As mulheres têm muitas outras coisas interessantes acontecendo em sua mente que não têm a ver com homens e bebês. Eu quis escrever um livro em que não havia interesse amoroso pela personagem feminina, no qual ela se preocupa com sua família, sim, mas tem outras coisas. Eu quis escrever um livro sobre uma mulher inteligente, sobre uma mulher que se salva sozinha porque mulheres são capazes de fazer isso”, justifica.
Essa é uma das diferenças entre seu livro, Garota Exemplar e A Garota no Trem. Do ponto de vista do estilo, A Mulher na Janela tem mais relação com A Garota no Trem, considera. 
Dan Mallory não conhece a mulher que inspirou sua história e nunca lhe ocorreu contar tudo isso para ela. “Estou olhando para a janela dela neste momento. Ela está na porta. Está nevando. Eu poderia abrir a janela e falar, ‘oi, obrigado’. Seria assustador ou ela ia gostar?, brinca.”
Se ele alguma vez pensou que sua vida daria uma guinada dessas? “Nunca, nunca”, ele grita animado. “Meu único objetivo era conseguir escrever a palavra ‘fim’.” E tudo está apenas começando. A Mulher na Janela tem potencial para ser um dos grandes best-sellers do ano. Deve voltar às listas no ano que vem com o filme nos cinemas. Joe Wright acaba de ser escolhido como diretor. Vencedor do Pulitzer pela peça Álbum de Família, depois transformada em filme, Tracy Letts é o roteirista. E Scott Rudin, de Onde os Fracos Não Têm Vez e A Rede Social, e Eli Bush, de Lady Bird, vão produzir o filme. [Fonte: http://cultura.estadao.com.br]

terça-feira, 6 de março de 2018

O homem de giz - C. J. Tudor

Tradução Victor Antunes
Editora Planeta
320 páginas
Amigos desde a infância, Ed, Gav, Hoppo, Mickey e Nicky vivem aventuras que os marcam mais que a crianças comuns: mortes, acidentes, mistérios. A chamada infância americana: grupos, bicicleta, bosques, liberdade. Só nos EUA e nas cidades bem pequenas do interior do Brasil se vê essa realidade.
A trama é narrada do Ed Adams, em capítulos alternados na infância e na idade adulta de 42 anos, na cidade de Andebury.
Tudo começa quando Ed presencia um acidente num parque de diversões que envolve Elisa, "a garota do carrossel", como a chama. Ele ajuda a se socorrer a bela jovem, junto com um professor albino e misterioso, Halloran. A partir daí a presença enigmática do professor começa a influenciar nas brincadeiras dos garotos, começando pelos desenhos em giz que deixam como pistas para se encontrarem, mas que logo passam a ser registros que antecedem assassinatos. Claro que é de surpreender a capacidade dedutiva e de comunicação por símbolos de garotos de 12 anos. Porém, aquela máxima: em ficção tudo pode. Não acho, mas deixa pra lá.
Na fase adulta, os acontecimentos do passado voltam a assaltar Ed e os demais guris, com a presença de Chloe, a volta de Mickey. Assim surge a necessidade de esclarecimentos, também despertado pelo surgimento de novos desenhos em giz, simbologia da infância.
Aborda o aborto, pedofilia, Igreja, amizade, vingança, Alzheimer.
Um livro mediano. Simples suspense sem muita paixão.

C. J. Tudor
C. J. Tudor
Nasceu em Salisbury e cresceu em Nottingham, onde ainda mora com seu parceiro e filha. O seu amor pela escrita, especialmente o escuro e o macabro, começou jovem. Enquanto os seus colegas liam Judy Blume, ela devorava Stephen King e James Herbert.
Ao longo dos anos, teve vários trabalho, incluindo repórter estagiária, empregada de mesa, assistente de loja, locução, apresentadora de televisão, guionista, redatora e agora autora. "The Chalk Man" é o seu primeiro livro.
[Fonte: Wook]

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Você - Caroline Kepnes

Título original: You A Novel

Editora Rocco / 2018
384 páginas
Tradução Alexandre Martins
Joe trabalha numa livraria quando conhece Beck e se apaixona.  Nada sabe da garota, mas em épocas de mídias digitais logo descortina toda a atividade intelectual, endereço, amizade. Planeja outros encontros, passando-se como coincidência, e logo começa a vigiá -la, invadir as correspondências e sigilos da sua amada. Claro,  e por ser tão excessivamente amada, protegida dos que se metem em seu caminho de conquista. O primeiro é Benji, uma espécie de namorado da moçoila cobiçada. Mas há outros que devem ser tratados, extinguidos, além da conquista daquela que é destinada,  assim acredita, para ela.
A obsessão de Joe é descrita no livro magistralmente em forma de diálogo com Beck. Um ótimo livro que mostra que a posse, o excesso de zelo, de invasão, posse, é uma ameaça e um alerta. A citação de obras, autores, filmes e músicas por todo o livro é uma viagem à parte. Quem dera ler mais livros e compositores dentro de outros livros! Farei uma lista dos citados para ampliar a viagem
Vale a pena ler Caroline Kepnes. Tornou-se uma das minhas preferidas escritoras.


"Eu conheci e.e. cummings da forma mais sensível e inteligente pela qual homens da minha idade chegam a e.e. cummings, por intermédio de uma das cenas mais românticas de uma das histórias de amor mai românticas de todos os tempo, Hannan e suas irmãs, na qual um nova-iorquino inteligente, sofisticado e casado, chamado Elliot (Michael Cane) se apaixona pela cunhada (Barbara Hershey). Ele precisa ter cuidado. Não pode fazer um avanço descontraído."

"Veja a inveja. Como ela pode não ter peso da ambição? Você sente pena dela. Como ela pode não ter ambição?"

"Não fiz universidade (...), então não desperdiço minha vida adulta tentando resgatar meu tempo de faculdade. Não sou cretino frouxo que nunca teve colhões para viver a vida agora, como ela é. Eu vivo para viver, e pediria outra vodca com soda, mas isso significaria falar com o bartender de camiseta do Bukowski, e ele me perguntaria novamente que tipo de club soda quero."

Caroline Kepnes 
Gêneros Ficção,Suspense e Mistério. Nascimento: 10/11/1976. Local: Estados Unidos - Massachusetts - Hyannis
Caroline Kepnes é autora de contos e romances. Você, seu primeiro romance, foi traduzido em 19 idiomas e dará origem a uma série de TV estrelada por Elizabeth Lail (Once Upon a Time) e Pen Badgley (Gossip Girl). [Fonte: Skoob]

O jardim das borboletas - Dot Hutchison

Título original The butterfly garden
Editora Planeta do Brasil
Tradução Débora Isidoro e Carolina Caires Coelho
Ficção policial americana suspense
Trilogia O colecionador
Tido como o primeiro livro da trilogia "O Colecionador".
Narrado em primeira voz por uma garota que foi resgatada de um cárcere junto com outras jovens e pela narrativa também em primeira pessoa do policial  bonzinho e sensível Victor Hanoverian.
No depoimento, a garota que é chamada por Maya, diz ter vivido quatro anos, juntamente com mais vinte e três, em cárcere. Delas, apenas treze sobreviventes. Encarceradas num jardim rodeado de vidros e borboletas, com as costas tatuadas com temas também de espécimes de borboletas, estupradas diariamente pelo algoz O Jardineiro e seu violento filho Avery. Sabiam que, assim como as borboletas,  tinham uma vida curta, já que, ao completarem 21 anos seriam mortas pelo Jardineiro e preservadas em vidro e resina no mesmo jardim que era prisão e casa de todas. E assim foi por mais de trinta anos. Façamos as contas: digamos que o Jardineiro raptasse cada vítima aos dezesseis anos, que era a média de idade que visava, cada uma viveria mais cinco anos, depois de chegar à prisão. Quando uma morria, outra era capturada. ou seja, quase 20 vidros com os cadáveres de meninas desde vinte e cinco anos atrás (tempo que a primeira "leva" completaria 21 anos. Em 30 anos, seriam quase 120 tumbas de vidro em exposição no tal jardim-das-borboletas-prisão. Ou mais, porque algumas eram capturadas com mais de dezesseis anos. Ilógico.
O tema,  a trama seria até interessante: um psicopata que sequestra garotas de quatorze a dezesseis anos, aprisiona-as num jardim para servir aos seu instinto animal para depois matá-las, preservando as tatuagens que faz em suas costas.
Mas ele não usava armas, não tinha vigilância. O que alimentava o medo das garotas eram as ameaças físicas. E, mesmo assim, subjugava vinte e três saudáveis moiçolas num lugar que, evidentemente, teve uma construção minuciosa, uma manutenção e limpeza, comida bem substancial, suporte tecnológico pra tanto subir e descer de paredes num apertar de controle remoto. E isso por mais  de trinta anos! Trinta anos de moças que chegam, morrem e requerem mais e mais urnas de vidro e mais resinas.... Não dá pra supor tal aberração. 
Que a autora pesquisasse mais antes de escrever o livresco.
Ruim pela falta de sentido lógico.

"(...) Como defendemos a liberdade de expressão, não há nada que possamos fazer.
- Acho que me acostumei tanto com os horrores do Jardim que esqueci quão horrível o mundo exterior também pode ser.
Ele daria qualquer coisa para poder dizer que aquilo não era verdade.
Mas era, e então ele simplesmente fica em silêncio"


Dot Hurtchicon

Dot nasceu em uma ilha entre dois furacões e ela tem causado problemas desde então. Uma fervorosa leitora, escritora, ela também trabalhou como instrutora em um "Boy Scout Camp", uma peça de jogo de xadrez de combate vivo e um proxenetista de livros. Careceu de mais informações sobre a escritora para complementar algo mais em sua biografia aqui no Antidepressivo.

Retrato em Sepia - Isabel Allende

Editora Bertrand Brasil
420 páginas Continuação do romance A Filha da Fortuna, escrito em primeira pessoa pela voz na neta de Eliza, que foi a personagem principal do anterior, Aurora del Valle.
Nesse folhetim novelesco, Eliza já casada e apaixonada pelo marido chinês Tao, tem dois filhos, Lucky e Lynn. A beleza da filha Lynn chama a atenção dos homens e é seduzida pelo filho de Paulina del Valle, personagem que também consta no primeiro romance, uma matrona chilena com tino para negócios que também reside em São Francisco. O filho não assume a paternidade, mas Severo del Valle, sobrinho de Paulina, apaixonado por Lynn, casa-se e assume a menina como sua.
Porém Lynn morre ao dar à luz Aurora.
Tao, que luta para salvar as eacravas sexuais chinesas contrabandeadas para São Francisco, assume a criação na neta, já que Severo volta ao Chile para a guerra.
Mas com a morte do marido, Eliza entrega a neta aos cinco anos para que seja criada pela avó Paulina, que já lutara antes pela sua guarda.
Assim a menina se desenvolve na família del Valle, tendo um rumo bem diferente para a vida do que seria, caso continuasse com os avós maternos. 
A personagem Aurora, assum como Eliza no primeiro romance, não apaixona. A paixão pela fotografia é um dos raros traços dados pela escritora, no mais poderia ter mais brios ou ter mais aventuras que justificassem o romance.
Um livro mediano.

"Nesses tempos a procriação era considerada indecente e entre a burguesia as mulheres grávidas fechavam-se em casa, mas ela não tentava dissimular o seu estado, exibindo-o indiferente à perturbação que causava. Na rua as pessoas evitavam olhar para ela, como se tivesse alguma deformidade ou andasse nua. Eu nunca tinha visto uma coisa assim e quando perguntei o que tinha aquela senhora, a minha avó Paulina explicou-se que a coitadinha tinha engolido um melão."

"Não era cômodo mudar os velhos hábitos, a higiene era aborrecida, complicada e interferia com a rapidez operatória, considerada a marca de um bom cirurgião porque diminuía o risco de choques e perda de sangue. Ao contrário de muitos dos seus contemporâneos para quem as infecções se produciam espontaneamente no corpo do doente, Ebanizer Hobbs entendeu de imediato que os germes estavam fora, nas mãos, no chão, nos instrumentos e no ambiente, por isso pulverizava com uma chuva de fenol desde as feridas ao ar da sala de operações Tanto fenol respirou o pobre homem que acabou com a pele ulcerada em chagas e morreu antes do pretexto aos seus detractores para continuarem aferrados às ideias antiquadas."

"Uma boa fotografia conta uma história, revela um lugar, um acontecimento, um estado de espírito, é mais poderosa do que páginas e páginas de escrita."


Isabel Allende
Isabel Allende nasceu em 2 de agosto de 1942, em Lima, no Peru, onde o seu pai diplomata se encontrava em trabalho. No entanto, a sua nacionalidade é chilena, tendo-se tornado cidadã norte-americana em 2003. É filha de Tomás Allende, funcionário diplomático e primo-irmão de Salvador Allende, e de Francisca Llona.
Isabel é considerada uma das principais revelações da literatura latino-americana da década de 1980. Sua obra é marcada pela ditadura no Chile, implantada com o golpe militar que em 1973 derrubou o governo do primo de seu pai, o presidente Salvador Allende (1908-1973).
O seu livro editado foi A Casa dos Espíritos (1982) (La casa de los espíritus) que ganhou reconhecimento de público e crítica. A obra resultou num filme A Casa dos Espíritos (1993) realizada por Bille August, com Jeremy Irons, Meryl Streep, Winona Ryder e Antonio Banderas, tendo grande parte das rodagens ter decorrido em Portugal, em Lisboa e no Alentejo.
Em 1995 lançou o livro Paula, que a autora escreveu para a sua filha que estava em coma devido a um ataque de porfiria. Como a autora não sabia se a sua memória voltaria após a saída do coma, Isabel Allende resolveu contar a sua história para auxiliar a filha a lembrar dos fatos. Paula passou a ser então um retrato auto-biográfico. [Fonte: Wikipedia]

Filha da fortuna - Isabel Allende

Editora Bertrand Brasil
479 páginas
Finalmente fui apresentada à escritora Isabel Allende. Longa espera, desculpável pela longa fila de autores para se conhecer. Escolhi a esmo o primeiro. A Filha da Fortuna foi uma grata surpresa. Não esperava que fosse tão primoroso na construção histórica,  na fieldade aos costumes de cada cultura abordada: oriental e ocidental, China, Chile e EUA.
Eliza Sommers foi um bebê abandonado em 1832 à porta da casa de Rose Sommers, uma inglesa que vivia em Valparaíso, Chile, que, após uma decepção amorosa, decidiu viver aristocraticamente apenas com o irmão Jeremy, porém só. Considerou a criança a filha que não teve e a criou perto disso. Eliza, pequena, que tinha o olfato desenvolvido além de memória prodigiosa, cresceu isolada, porém feliz até os dezessete anos, quando viu pela primeira vez Joaquín Andieta, um empregado do seu tio, apaixonando-se perdidamente, entregando-se de todas as formas ao sentimento arrebatador. O rapaz não seria aceito entre os que rodeavam Eliza, mas não deixou de vivê-lo mesmo assim.
Logo a fama de ouro na Califórnia chegou a Valparaíso e Joaquín decidiu ir embora, fazer fortuna para tirar a mãe e a si próprio da miséria,  abandonando Eliza, que nem se sabia grávida ainda.
Em nome do amor, Eliza decide encontrar o amante de qualquer forma com a ajuda de Tao Chi'en, um chinês que saiu do seu país como marinheiro sequestrado e acabou como um estudioso da medicina oriental. Como encontrar o amante num  país estranho, nas mãos de um oriental que não conhecia, uma jovem entre prostitutas e caçadores de ouro? Eliza apenas era guiada pelo sentimento de amor que levava consigo e a certeza que encontraria Joaquín novamente. 
Um bom livro. Recomendo.

"Eliza apaixonou-se pela liberdade. Tinha vivido entre as quatro paredes da casa dos Sommers, num ambiente imutável, onde o tempo rodava em círculos e a linha do horizonte mal se entrevia através das janelas estreitas, cresceu na armadura impenetrável das boas maneiras e das convenções, treinada desde sempre para agradar e servir, limitada pelo espartilho, pelas rotinas, pelas normas sociais e pelo temor. O medo tinha sido seu companheiro: medo de Deus e da sua imprevisível justiça, da autoridade, dos seus pais adotivos, da doença e da maledicência, do desconhecido e do diferente, de sair da proteção de casa e de enfrentar os perigos da rua, medo da sua própria fragilidade feminina, da desonra e da verdade."

Isabel Allende
Isabel Allende nasceu em 2 de agosto de 1942, em Lima, no Peru, onde o seu pai diplomata se encontrava em trabalho. No entanto, a sua nacionalidade é chilena, tendo-se tornado cidadã norte-americana em 2003. É filha de Tomás Allende, funcionário diplomático e primo-irmão de Salvador Allende, e de Francisca Llona.
Isabel é considerada uma das principais revelações da literatura latino-americana da década de 1980. Sua obra é marcada pela ditadura no Chile, implantada com o golpe militar que em 1973 derrubou o governo do primo de seu pai, o presidente Salvador Allende (1908-1973).
O seu livro editado foi A Casa dos Espíritos (1982) (La casa de los espíritus) que ganhou reconhecimento de público e crítica. A obra resultou num filme A Casa dos Espíritos (1993) realizada por Bille August, com Jeremy Irons, Meryl Streep, Winona Ryder e Antonio Banderas, tendo grande parte das rodagens ter decorrido em Portugal, em Lisboa e no Alentejo.
Em 1995 lançou o livro Paula, que a autora escreveu para a sua filha que estava em coma devido a um ataque de porfiria. Como a autora não sabia se a sua memória voltaria após a saída do coma, Isabel Allende resolveu contar a sua história para auxiliar a filha a lembrar dos fatos. Paula passou a ser então um retrato auto-biográfico. [Fonte: Wikipedia]