terça-feira, 6 de março de 2018

O homem de giz - C. J. Tudor

Tradução Victor Antunes
Editora Planeta
320 páginas
Amigos desde a infância, Ed, Gav, Hoppo, Mickey e Nicky vivem aventuras que os marcam mais que a crianças comuns: mortes, acidentes, mistérios. A chamada infância americana: grupos, bicicleta, bosques, liberdade. Só nos EUA e nas cidades bem pequenas do interior do Brasil se vê essa realidade.
A trama é narrada do Ed Adams, em capítulos alternados na infância e na idade adulta de 42 anos, na cidade de Andebury.
Tudo começa quando Ed presencia um acidente num parque de diversões que envolve Elisa, "a garota do carrossel", como a chama. Ele ajuda a se socorrer a bela jovem, junto com um professor albino e misterioso, Halloran. A partir daí a presença enigmática do professor começa a influenciar nas brincadeiras dos garotos, começando pelos desenhos em giz que deixam como pistas para se encontrarem, mas que logo passam a ser registros que antecedem assassinatos. Claro que é de surpreender a capacidade dedutiva e de comunicação por símbolos de garotos de 12 anos. Porém, aquela máxima: em ficção tudo pode. Não acho, mas deixa pra lá.
Na fase adulta, os acontecimentos do passado voltam a assaltar Ed e os demais guris, com a presença de Chloe, a volta de Mickey. Assim surge a necessidade de esclarecimentos, também despertado pelo surgimento de novos desenhos em giz, simbologia da infância.
Aborda o aborto, pedofilia, Igreja, amizade, vingança, Alzheimer.
Um livro mediano. Simples suspense sem muita paixão.

C. J. Tudor
C. J. Tudor
Nasceu em Salisbury e cresceu em Nottingham, onde ainda mora com seu parceiro e filha. O seu amor pela escrita, especialmente o escuro e o macabro, começou jovem. Enquanto os seus colegas liam Judy Blume, ela devorava Stephen King e James Herbert.
Ao longo dos anos, teve vários trabalho, incluindo repórter estagiária, empregada de mesa, assistente de loja, locução, apresentadora de televisão, guionista, redatora e agora autora. "The Chalk Man" é o seu primeiro livro.
[Fonte: Wook]

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Você - Caroline Kepnes

Título original: You A Novel

Editora Rocco / 2018
384 páginas
Tradução Alexandre Martins
Joe trabalha numa livraria quando conhece Beck e se apaixona.  Nada sabe da garota, mas em épocas de mídias digitais logo descortina toda a atividade intelectual, endereço, amizade. Planeja outros encontros, passando-se como coincidência, e logo começa a vigiá -la, invadir as correspondências e sigilos da sua amada. Claro,  e por ser tão excessivamente amada, protegida dos que se metem em seu caminho de conquista. O primeiro é Benji, uma espécie de namorado da moçoila cobiçada. Mas há outros que devem ser tratados, extinguidos, além da conquista daquela que é destinada,  assim acredita, para ela.
A obsessão de Joe é descrita no livro magistralmente em forma de diálogo com Beck. Um ótimo livro que mostra que a posse, o excesso de zelo, de invasão, posse, é uma ameaça e um alerta. A citação de obras, autores, filmes e músicas por todo o livro é uma viagem à parte. Quem dera ler mais livros e compositores dentro de outros livros! Farei uma lista dos citados para ampliar a viagem
Vale a pena ler Caroline Kepnes. Tornou-se uma das minhas preferidas escritoras.


"Eu conheci e.e. cummings da forma mais sensível e inteligente pela qual homens da minha idade chegam a e.e. cummings, por intermédio de uma das cenas mais românticas de uma das histórias de amor mai românticas de todos os tempo, Hannan e suas irmãs, na qual um nova-iorquino inteligente, sofisticado e casado, chamado Elliot (Michael Cane) se apaixona pela cunhada (Barbara Hershey). Ele precisa ter cuidado. Não pode fazer um avanço descontraído."

"Veja a inveja. Como ela pode não ter peso da ambição? Você sente pena dela. Como ela pode não ter ambição?"

"Não fiz universidade (...), então não desperdiço minha vida adulta tentando resgatar meu tempo de faculdade. Não sou cretino frouxo que nunca teve colhões para viver a vida agora, como ela é. Eu vivo para viver, e pediria outra vodca com soda, mas isso significaria falar com o bartender de camiseta do Bukowski, e ele me perguntaria novamente que tipo de club soda quero."

Caroline Kepnes 
Gêneros Ficção,Suspense e Mistério. Nascimento: 10/11/1976. Local: Estados Unidos - Massachusetts - Hyannis
Caroline Kepnes é autora de contos e romances. Você, seu primeiro romance, foi traduzido em 19 idiomas e dará origem a uma série de TV estrelada por Elizabeth Lail (Once Upon a Time) e Pen Badgley (Gossip Girl). [Fonte: Skoob]

O jardim das borboletas - Dot Hutchison

Título original The butterfly garden
Editora Planeta do Brasil
Tradução Débora Isidoro e Carolina Caires Coelho
Ficção policial americana suspense
Trilogia O colecionador
Tido como o primeiro livro da trilogia "O Colecionador".
Narrado em primeira voz por uma garota que foi resgatada de um cárcere junto com outras jovens e pela narrativa também em primeira pessoa do policial  bonzinho e sensível Victor Hanoverian.
No depoimento, a garota que é chamada por Maya, diz ter vivido quatro anos, juntamente com mais vinte e três, em cárcere. Delas, apenas treze sobreviventes. Encarceradas num jardim rodeado de vidros e borboletas, com as costas tatuadas com temas também de espécimes de borboletas, estupradas diariamente pelo algoz O Jardineiro e seu violento filho Avery. Sabiam que, assim como as borboletas,  tinham uma vida curta, já que, ao completarem 21 anos seriam mortas pelo Jardineiro e preservadas em vidro e resina no mesmo jardim que era prisão e casa de todas. E assim foi por mais de trinta anos. Façamos as contas: digamos que o Jardineiro raptasse cada vítima aos dezesseis anos, que era a média de idade que visava, cada uma viveria mais cinco anos, depois de chegar à prisão. Quando uma morria, outra era capturada. ou seja, quase 20 vidros com os cadáveres de meninas desde vinte e cinco anos atrás (tempo que a primeira "leva" completaria 21 anos. Em 30 anos, seriam quase 120 tumbas de vidro em exposição no tal jardim-das-borboletas-prisão. Ou mais, porque algumas eram capturadas com mais de dezesseis anos. Ilógico.
O tema,  a trama seria até interessante: um psicopata que sequestra garotas de quatorze a dezesseis anos, aprisiona-as num jardim para servir aos seu instinto animal para depois matá-las, preservando as tatuagens que faz em suas costas.
Mas ele não usava armas, não tinha vigilância. O que alimentava o medo das garotas eram as ameaças físicas. E, mesmo assim, subjugava vinte e três saudáveis moiçolas num lugar que, evidentemente, teve uma construção minuciosa, uma manutenção e limpeza, comida bem substancial, suporte tecnológico pra tanto subir e descer de paredes num apertar de controle remoto. E isso por mais  de trinta anos! Trinta anos de moças que chegam, morrem e requerem mais e mais urnas de vidro e mais resinas.... Não dá pra supor tal aberração. 
Que a autora pesquisasse mais antes de escrever o livresco.
Ruim pela falta de sentido lógico.

"(...) Como defendemos a liberdade de expressão, não há nada que possamos fazer.
- Acho que me acostumei tanto com os horrores do Jardim que esqueci quão horrível o mundo exterior também pode ser.
Ele daria qualquer coisa para poder dizer que aquilo não era verdade.
Mas era, e então ele simplesmente fica em silêncio"


Dot Hurtchicon

Dot nasceu em uma ilha entre dois furacões e ela tem causado problemas desde então. Uma fervorosa leitora, escritora, ela também trabalhou como instrutora em um "Boy Scout Camp", uma peça de jogo de xadrez de combate vivo e um proxenetista de livros. Careceu de mais informações sobre a escritora para complementar algo mais em sua biografia aqui no Antidepressivo.

Retrato em Sepia - Isabel Allende

Editora Bertrand Brasil
420 páginas Continuação do romance A Filha da Fortuna, escrito em primeira pessoa pela voz na neta de Eliza, que foi a personagem principal do anterior, Aurora del Valle.
Nesse folhetim novelesco, Eliza já casada e apaixonada pelo marido chinês Tao, tem dois filhos, Lucky e Lynn. A beleza da filha Lynn chama a atenção dos homens e é seduzida pelo filho de Paulina del Valle, personagem que também consta no primeiro romance, uma matrona chilena com tino para negócios que também reside em São Francisco. O filho não assume a paternidade, mas Severo del Valle, sobrinho de Paulina, apaixonado por Lynn, casa-se e assume a menina como sua.
Porém Lynn morre ao dar à luz Aurora.
Tao, que luta para salvar as eacravas sexuais chinesas contrabandeadas para São Francisco, assume a criação na neta, já que Severo volta ao Chile para a guerra.
Mas com a morte do marido, Eliza entrega a neta aos cinco anos para que seja criada pela avó Paulina, que já lutara antes pela sua guarda.
Assim a menina se desenvolve na família del Valle, tendo um rumo bem diferente para a vida do que seria, caso continuasse com os avós maternos. 
A personagem Aurora, assum como Eliza no primeiro romance, não apaixona. A paixão pela fotografia é um dos raros traços dados pela escritora, no mais poderia ter mais brios ou ter mais aventuras que justificassem o romance.
Um livro mediano.

"Nesses tempos a procriação era considerada indecente e entre a burguesia as mulheres grávidas fechavam-se em casa, mas ela não tentava dissimular o seu estado, exibindo-o indiferente à perturbação que causava. Na rua as pessoas evitavam olhar para ela, como se tivesse alguma deformidade ou andasse nua. Eu nunca tinha visto uma coisa assim e quando perguntei o que tinha aquela senhora, a minha avó Paulina explicou-se que a coitadinha tinha engolido um melão."

"Não era cômodo mudar os velhos hábitos, a higiene era aborrecida, complicada e interferia com a rapidez operatória, considerada a marca de um bom cirurgião porque diminuía o risco de choques e perda de sangue. Ao contrário de muitos dos seus contemporâneos para quem as infecções se produciam espontaneamente no corpo do doente, Ebanizer Hobbs entendeu de imediato que os germes estavam fora, nas mãos, no chão, nos instrumentos e no ambiente, por isso pulverizava com uma chuva de fenol desde as feridas ao ar da sala de operações Tanto fenol respirou o pobre homem que acabou com a pele ulcerada em chagas e morreu antes do pretexto aos seus detractores para continuarem aferrados às ideias antiquadas."

"Uma boa fotografia conta uma história, revela um lugar, um acontecimento, um estado de espírito, é mais poderosa do que páginas e páginas de escrita."


Isabel Allende
Isabel Allende nasceu em 2 de agosto de 1942, em Lima, no Peru, onde o seu pai diplomata se encontrava em trabalho. No entanto, a sua nacionalidade é chilena, tendo-se tornado cidadã norte-americana em 2003. É filha de Tomás Allende, funcionário diplomático e primo-irmão de Salvador Allende, e de Francisca Llona.
Isabel é considerada uma das principais revelações da literatura latino-americana da década de 1980. Sua obra é marcada pela ditadura no Chile, implantada com o golpe militar que em 1973 derrubou o governo do primo de seu pai, o presidente Salvador Allende (1908-1973).
O seu livro editado foi A Casa dos Espíritos (1982) (La casa de los espíritus) que ganhou reconhecimento de público e crítica. A obra resultou num filme A Casa dos Espíritos (1993) realizada por Bille August, com Jeremy Irons, Meryl Streep, Winona Ryder e Antonio Banderas, tendo grande parte das rodagens ter decorrido em Portugal, em Lisboa e no Alentejo.
Em 1995 lançou o livro Paula, que a autora escreveu para a sua filha que estava em coma devido a um ataque de porfiria. Como a autora não sabia se a sua memória voltaria após a saída do coma, Isabel Allende resolveu contar a sua história para auxiliar a filha a lembrar dos fatos. Paula passou a ser então um retrato auto-biográfico. [Fonte: Wikipedia]

Filha da fortuna - Isabel Allende

Editora Bertrand Brasil
479 páginas
Finalmente fui apresentada à escritora Isabel Allende. Longa espera, desculpável pela longa fila de autores para se conhecer. Escolhi a esmo o primeiro. A Filha da Fortuna foi uma grata surpresa. Não esperava que fosse tão primoroso na construção histórica,  na fieldade aos costumes de cada cultura abordada: oriental e ocidental, China, Chile e EUA.
Eliza Sommers foi um bebê abandonado em 1832 à porta da casa de Rose Sommers, uma inglesa que vivia em Valparaíso, Chile, que, após uma decepção amorosa, decidiu viver aristocraticamente apenas com o irmão Jeremy, porém só. Considerou a criança a filha que não teve e a criou perto disso. Eliza, pequena, que tinha o olfato desenvolvido além de memória prodigiosa, cresceu isolada, porém feliz até os dezessete anos, quando viu pela primeira vez Joaquín Andieta, um empregado do seu tio, apaixonando-se perdidamente, entregando-se de todas as formas ao sentimento arrebatador. O rapaz não seria aceito entre os que rodeavam Eliza, mas não deixou de vivê-lo mesmo assim.
Logo a fama de ouro na Califórnia chegou a Valparaíso e Joaquín decidiu ir embora, fazer fortuna para tirar a mãe e a si próprio da miséria,  abandonando Eliza, que nem se sabia grávida ainda.
Em nome do amor, Eliza decide encontrar o amante de qualquer forma com a ajuda de Tao Chi'en, um chinês que saiu do seu país como marinheiro sequestrado e acabou como um estudioso da medicina oriental. Como encontrar o amante num  país estranho, nas mãos de um oriental que não conhecia, uma jovem entre prostitutas e caçadores de ouro? Eliza apenas era guiada pelo sentimento de amor que levava consigo e a certeza que encontraria Joaquín novamente. 
Um bom livro. Recomendo.

"Eliza apaixonou-se pela liberdade. Tinha vivido entre as quatro paredes da casa dos Sommers, num ambiente imutável, onde o tempo rodava em círculos e a linha do horizonte mal se entrevia através das janelas estreitas, cresceu na armadura impenetrável das boas maneiras e das convenções, treinada desde sempre para agradar e servir, limitada pelo espartilho, pelas rotinas, pelas normas sociais e pelo temor. O medo tinha sido seu companheiro: medo de Deus e da sua imprevisível justiça, da autoridade, dos seus pais adotivos, da doença e da maledicência, do desconhecido e do diferente, de sair da proteção de casa e de enfrentar os perigos da rua, medo da sua própria fragilidade feminina, da desonra e da verdade."

Isabel Allende
Isabel Allende nasceu em 2 de agosto de 1942, em Lima, no Peru, onde o seu pai diplomata se encontrava em trabalho. No entanto, a sua nacionalidade é chilena, tendo-se tornado cidadã norte-americana em 2003. É filha de Tomás Allende, funcionário diplomático e primo-irmão de Salvador Allende, e de Francisca Llona.
Isabel é considerada uma das principais revelações da literatura latino-americana da década de 1980. Sua obra é marcada pela ditadura no Chile, implantada com o golpe militar que em 1973 derrubou o governo do primo de seu pai, o presidente Salvador Allende (1908-1973).
O seu livro editado foi A Casa dos Espíritos (1982) (La casa de los espíritus) que ganhou reconhecimento de público e crítica. A obra resultou num filme A Casa dos Espíritos (1993) realizada por Bille August, com Jeremy Irons, Meryl Streep, Winona Ryder e Antonio Banderas, tendo grande parte das rodagens ter decorrido em Portugal, em Lisboa e no Alentejo.
Em 1995 lançou o livro Paula, que a autora escreveu para a sua filha que estava em coma devido a um ataque de porfiria. Como a autora não sabia se a sua memória voltaria após a saída do coma, Isabel Allende resolveu contar a sua história para auxiliar a filha a lembrar dos fatos. Paula passou a ser então um retrato auto-biográfico. [Fonte: Wikipedia]

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Pretérito imperfeito - B. Kucinski

Editora Companhia das Letras
152 páginas 

Um casal de professores universitários ligados às artes cênicas têm dificuldade em gerar próprios filhos se decidem pela adoção.  À época,  adoção à brasileira,  ou seja, uma declaração que foi parto natural em casa e feito o registro. O ato da adoção desmistificado pela narração em primeira voz do pai. O filho, inicialmente com problemas de saúde,  depois torna-se uma criança cheia de vida, inteligente. Mas logo se revela o deficit de atenção,  a adolescência problemática, envolvimento com álcool e, finalmente, drogas pesadas. O pai faz uma espécie de desabafo do desespero e angústia que traz um filho drogado. Uma reflexão sobre a adoção e o despreparo para uma paternidade não programada.
O autor baseou-se em sua própria experiência para escrever o livro.  Em uma entrevista ao br.noticias.yahoo.com, declarou:  "O objetivo foi fazer uma criação literária inspirada numa história de vida real. Os cenários na grande maioria são reais e os episódios aconteceram, embora apenas parte deles."
"O senso comum vê adoção como ato de caridade. Quanta ilusão! Adota-se quase sempre para ter uma família, não para dar uma família à criança. É o miserável desamparo nosso que nos move, não o desamparo maior da criança. Adota-se para fugir a um luto, para compensar uma perda, para salvar um casamento, ou por uma combinação desses motivos.
Há quem adote tão somente para assegurar amparo na velhice. Mesmo a adoção de filhos de criação, devido à morte ou insuficiência de um parente ou vizinho, pode esconder razões  interesseiras. Seja que motivos for, adoção é posse, aquisição. Na adoção à brasileira, às vezes até se paga, a pretexto de ressarcir despesas de parto. Na adoção em orfanato, casais escolhem aquele que lhes parece mais bonito, como quem escolhe a cor de um carro. Até recentemente,  podia-se registrar filho adotado igual se registra propriedade: por escritura pública."
"(...) Na fase difícil, delicada, da passagem da puberdade à adolescência, quando. O jovem é tomado por impulsos contraditórios, às vezes se apartando perigosamente do mundo real. Hoje sei, por outro psicanalista, o inglês Donald Winnicott, que o filho adotivo é ainda mais exigente e sensível que o consanguíneo; jamais deve ser abandonado, nem mesmo na adolescência."
"Em sua novela autobiográfica Junkie, William Borroughs descreve a incessante e frenética procura por doses de heroína nos becos de Nova York,  Nova Orleans e da Cidade do México. Sem vontade própria, vivia em função de um único e permanente objetivo: obter uma dose, para não ficar fissurado, como diz o léxico da galera.
"Confesso que já o quis morto. Pensamento que depressa afastei, assustado comigo mesmo. Necessitava tanto e tão imediatamente de alívio que levava em conta o incomensurável sofrimento da perda do único filho."
"Em todos esses anos, só tivemos sossego, paradoxalmente, durante os seis meses de abstinência forçada, em que cumpriu pena na cadeia pela agressão à companheira."
"Muitas vezes me perguntei: para que serve um filho desses? Se eu fosse crente, diria que veio ao mundo para nos pôr à prova."
"O homem pode existir de muitas formas e pode mudar a forma de existir; porém, o tempo de uma existência é limitado. Metade de seu tempo se foi. Por isso, para que serve um filho desses?"

Nasceu em São Paulo em 1937. Jornalista, professor aposentado da Universidade de São Paulo, autor de obras sobre economia, política e jornalismo e assessor da Presidência da República entre 2003 e 2005. Lançou, aos 74 anos, K: Relato de uma busca - seu primeiro livro de ficção, finalista de vários prêmios nacionais e internacionais.
Atualmente mora no bairro de Pinheiros em São Paulo.